Rio - A final da Copa do Mundo de 2026 coloca frente a frente duas seleções que pertencem à mesma escola do futebol moderno. Espanha e Argentina decidem o título mundial neste domingo (19), às 16h (de Brasília), em Nova Jersey, nos Estados Unidos, e apostam em um estilo de jogo semelhante, mas com identidades diferentes. O embate promete muito equilíbrio e fortes emoções.
Finalistas da Copa do Mundo, Espanha e Argentina chegaram à decisão mostrando que o futebol moderno exige organização. Tanto espanhóis quanto argentinos procuram controlar o ritmo da partida, manter a equipe compacta e recuperar rapidamente a posse. Mas as semelhanças acabam por aí. Na prática, ambas buscam controlar o jogo. Porém, o que muda é quem ocupa o centro desse domínio.
De um lado, os espanhóis apostam na força de um coletivo em que ninguém é maior do que a ideia. Por outro lado, os argentinos também funcionam como equipe, mas organizam o sistema ao redor de Messi. Um dos maiores artilheiros da história das Copas, o camisa 10 argentino representa algo que vai além da parte tática e a cada jogo escreve um capítulo histórico da sua carreira.
A Espanha talvez seja o melhor exemplo de um coletivo em que a ideia está acima da individualidade. A circulação da bola, a troca constante de posições e a pressão coordenada fazem da equipe espanhola uma seleção que transmite a sensação de controle. Mesmo nos momentos de pressão, não abandona o seu estilo de jogo. Não é à toa que é dona da melhor defesa da Copa do Mundo.
Lamine Yamal e Lionel Messi vão se enfrentar na final da Copa do MundoLuis Robayo / AFP
A Argentina também é uma equipe muito organizada. O título mundial em 2022 consolidou uma estrutura sólida, capaz de competir em diferentes cenários e adaptar o jogo conforme o adversário. A diferença é que, dentro desse coletivo, existe um protagonista: Messi. Ou seja, o sistema também trabalha para potencializar o talento de um dos maiores jogadores da história e que continua sendo decisivo mesmo aos 39 anos.
Outro contraste importante está na idade. Nos últimos anos, a Espanha passou por uma reformulação sem perder a competividade e construiu uma equipe jovem e dinâmica. Ao todo, há nove remanescentes do vice olímpico para o Brasil, em 2021. O técnico Luis de la Fuente, por exemplo, trabalhou na base entre 2013 e 2022, quando foi promovido. Ele é o único que conquistou a Eurocopa na base e no profissional.
Enquanto grande parte do elenco espanhol deve disputar mais Copas do Mundo no futuro, a Argentina tem 17 remanescentes do título mundial de 2022, no Catar. Muitos dos jogadores vivem possivelmente sua última oportunidade de conquistar um Mundial ao lado de Messi. Isso, portanto, faz com que a equipe carregue um componente emocional que nenhuma outra seleção possui.
A decisão coloca frente a frente duas interpretações distintas de uma mesma ideia de futebol. De um lado, o sistema espanhol produz o brilho individual. Do outro lado, os argentinos criam condições para que seu maior craque continue fazendo a diferença. No fim, as duas ideias levam ao mesmo destino, mas apenas um vai conquistar o título mundial.
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