Jogadores da seleção da Argentina comemoram com o astro Lionel Messi a classificação para a grande final da Copa de 2026AFP

Messi chega ao fim de sua participação em Copas do Mundo com três finais e alguns recordes em seis edições disputadas. Mas ainda pode ter a cereja do bolo em uma trajetória de superação que começou como um filme de terror e termina em uma gloriosa e vencedora história nesta reta final de carreira. Falta ao craque de 39 anos conquistar o segundo título mundial seguido para a Argentina, neste domingo contra a Espanha, às 16h (de Brasília).
Comparado a Diego Maradona pelos compatriotas a cada desilusão em Copas do Mundo anteriores, Messi saiu da sombra do ídolo e virou farol no país. E agora pode superá-lo, caso seja campeão novamente, feito que apenas outro argentino conseguiu: Daniel Passarela, em 1978 e 1986.
"Tivemos a sorte de viver na era do Diego. Nunca quis me comparar a ele e sei que ele gostava muito de mim. Prefiro guardar todos os momentos bonitos que compartilhamos juntos", afirmou o craque após a vitória sobre a Inglaterra.

Corrida para não perder Messi para a Espanha

E pensar que por muito pouco essa relação com o país não acontece. Afinal, Messi foi rejeitado por clubes argentinos pelo corpo franzino e fez todo o caminho das divisões de base no Barcelona, o que o fez entrar na mira da seleção espanhola.
Mas um vídeo de suas jogadas chegou às mãos do técnico do sub-17 da Argentina em 2004, Hugo Tocalli, que correu junto à federação de futebol para organizar um amistoso às pressas para convocá-lo. A estreia com a camisa Albiceleste aconteceu no mesmo ano, contra o Paraguai, e não demorou para o craque chegar à seleção principal, em 17 de agosto de 2005, em um amistoso contra a Hungria.

Início difícil pela Argentina

A esta altura já existia grande expectativa no futebol do craque, mas não foi fácil replicar o que fazia no Barcelona. A primeira das 33 partidas em Copas foi em 2006, ainda como reserva no 6 a 0 sobre a Sérvia, quando marcou o primeiro dos 21 gols.
Em 2010, Messi vestiu pela primeira vez a camisa 10 em uma Copa, mas teve desempenho decepcionante - AFP
Em 2010, Messi vestiu pela primeira vez a camisa 10 em uma Copa, mas teve desempenho decepcionanteAFP

Mas a sequência de eliminações e o desempenho no torneio também contribuíram para as críticas e ataques que sofreu dos compatriotas. A medalha de ouro na Olimpíada de Pequim-2008 com o time sub-23 ajudou a minimizar as cobranças, mas a lua de mel durou pouco.
 
Em 2010, Messi já era o melhor do mundo (venceu pela primeira vez em 2009) e gerou grande expectativa em acabar com o jejum que durava desde 1986. Mas não marcou gols e a Argentina acabou eliminada com uma derrota por 4 a 0 para a Alemanha, nas quartas de final.
As críticas só aumentaram, assim como a comparação com Maradona. A resposta de Messi veio em 2014, ao liderar a seleção até a final da Copa no Brasil. Só que a decepção da perda do título na prorrogação, novamente para os alemães, criou mais uma marca na relação com o torcedor.
Messi chegou perto do título mundial com a Argentina em 2014, mas perdeu a final para a Alemanha, no Maracanã - AFP
Messi chegou perto do título mundial com a Argentina em 2014, mas perdeu a final para a Alemanha, no MaracanãAFP

Anúncio precoce de aposentadoria da seleção

Sem títulos, Messi teria mais duas grandes decepções em 2015 e 2016, ao perder as finais da Copa América nos pênaltis, ambas para o Chile. A insatisfação com a federação argentina, os ataques sofridos e a tristeza o fizeram anunciar que não jogaria mais pela seleção, coincidentemente no mesmo Estádio MetLife, palco da final deste domingo. 
A declaração pegou todos de surpresa, mas não passou de um susto e o camisa 10 não demorou a voltar. Assim como as falhas para ser campeão. Na Copa do Mundo de 2018, o craque novamente ficou devendo, com apenas um gol e eliminação nas oitavas para a campeã França.

O renascer de Messi e da Argentina

 
Em uma seleção da Argentina bagunçada, a luz no fim do túnel finalmente apareceu com a chegada de Lionel Scaloni para ser técnico. Antes dos momentos de alegria, entretanto, uma última tristeza em 2019, com derrota na semifinal da Copa América para o Brasil, por 2 a 0.
A pressão só aumentava com o jejum de títulos do país que só crescia, mas tudo mudou num lance: o gol de Di María na vitória por 1 a 0 sobre o Brasil, em pleno Maracanã, na final do torneio continental de 2021. Foi no meio da pandemia, sem público no estádio e sem Maradona, que morreu em novembro de 2020, mas não importava.
Com Messi como capitão, jogadores da Argentina celebram o título da Copa América de 2019, no Maracanã - AFP
Com Messi como capitão, jogadores da Argentina celebram o título da Copa América de 2019, no MaracanãAFP
 
A primeira conquista de Messi com a Argentina encerrou um jejum de 28 anos do país e foi o alívio necessário para ele e toda uma geração. A saída de um peso enorme desencadeou uma mudança total de postura, da seleção perdedora de antes para um time vencedor e confiante.
Então veio a maior glória, a Copa do Mundo de 2022, vencendo a favorita França nos pênaltis. E Messi foi o grande protagonista da campanha, marcando oito gols e liderando o time que jogou por ele, o que acabou de vez com qualquer comparação com Maradona.
Os títulos da finalíssima de 2022 e da Copa América de 2024 só ajudaram a confirmar o tamanho gigante do camisa 10 no país.

Os recordes do craque argentino na Copa do Mundo

Depois do título, o jogador de 39 anos fará sua última partida no maior torneio de seleções como um dos melhores de todos os tempos. Pode ser bicampeão e, assim, coroar uma trajetória de recordes que ficaram ainda mais impressionantes com seu desempenho recente.
O camisa 10 já é o jogador que mais disputou edições da Copa do Mundo (seis, ao lado de Cristiano Ronaldo e Ochoa) e ampliará o recorde de jogos disputados (serão 34). Além disso, é o jogador que mais vezes foi eleito o destaque da partida (15 vezes), quem mais deu assistências (12), com mais vitórias (21) e mais vezes jogou a final (será a terceira, igualando Cafu).
E tem tudo para ser pela terceira vez o melhor da Copa, como foi em 2014 e 2022. Resta saber se como campeão mais uma vez ou vice como em 2014.