Rio, 29/11/2019 - ESPECIAL, Entrvista com o ex presidente do Flamengo. Eduardo Bandeira de Mello. Novo Leblon, Barra da Tijuca. zona Oeste do Rio. Foto: Ricardo Cassiano/Agencia O DiaRicardo Cassiano/Agencia O Dia

A recente reforma tributária, que terá consolidação a partir de 2027, impulsiona os clubes associativos brasileiros a adotarem o modelo de Sociedade Anônima do Futebol, graças a uma carga de impostos mais leve para as SAF's. 
Enquanto a taxa para clubes como o Flamengo saltou para 15,5% sobre a receita bruta, as SAFs terão uma carga unificada de apenas 6%.

Contrário à decisão, o Flamengo lançou a campanha Amigo do Esporte, uma mobilização institucional em defesa dos clubes associativos brasileiros e do papel social que exercem no desenvolvimento do esporte.
“Tenho convicção de que o Marco Legal não foi concebido para criar desigualdade entre clubes associativos e SAFs. As SAFs surgiram posteriormente, e o veto presidencial acabou produzindo um efeito indesejado: colocou os clubes associativos em desvantagem tributária. Isso inverte a lógica do sistema, já que entidades sem fins lucrativos jamais deveriam ser mais tributadas do que estruturas criadas com objetivo de lucro”, afirmou o presidente Bap, em entrevista à FlamengoTV.
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Além da criação da campanha, o Flamengo também ganhou um forte aliado para a derrubada da Lei Complementar 214/25. Trata-se do ex-presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello.

O ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello - Estefan Radovicz / Agência O
O ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de MelloEstefan Radovicz / Agência O

Em declaração exclusiva à nossa coluna e ao canal do YouTube "Resenha Rubro Negra", o deputado federal pelo estado do Rio destacou a desigualdade que a lei causa.

"Apesar de os clubes poderem ter uma redução de 60% na alíquota que ainda vai ser definida, e também a possibilidade de creditamento de despesas, isso certamente não vai compensar a vantagem que as SAF's têm, que foi garantida já pela reforma tributária", disse o deputado, que completou: "Tentando resolver essa situação desde o ano passado, a Câmara aprovou uma emenda de plenário que alterou a regulamentação da reforma tributária e estendeu para os clubes as mesmas alíquotas aplicadas nas SAFs. No entanto, esta emenda foi considerada inconstitucional e foi vetada pela Presidência da República. Como as novas alíquotas só vão valer a partir de 2027, nós temos ainda quase que um ano inteiro para poder discutir e essa discussão começa agora, em fevereiro, depois que terminar o recesso legislativo e o importante é que haja diálogo e compreensão e que se busque uma solução justa e isonômica."
O Flamengo divulgou um estudo que estima um pagamento extra de R$ 746 milhões em impostos, nos próximos oito anos, por decisões do governo federal depois nova reforma tributária.