Alex Sandro ainda vive expectativa de ser convocado para a Copa do MundoReprodução / Instagram
Com seis pontos de desvantagem para o líder do campeonato, o time poderá reduzir a distância para apenas três pontos caso o Palmeiras tropece diante do Fluminense, neste sábado (15), no Maracanã, e o time de Leonardo Jardim conquiste os três pontos no interior paulista. O cenário, portanto, mantém o Mais Querido plenamente inserido na disputa pelo título nacional.
Os números ajudam a dimensionar o problema. Alex Sandro soma apenas 352 minutos a mais em campo do que Arrascaeta, jogador que atravessou aproximadamente três dos oito primeiros meses da temporada afastado por problemas físicos. A comparação, por si só, não determina a qualidade de um atleta, mas expõe a dificuldade do Flamengo em contar regularmente com um jogador que recebeu a confiança institucional para permanecer no elenco.
O cenário se agravou com o novo problema físico que afastará o lateral por aproximadamente duas a três semanas. Com isso, Alex Sandro deverá perder partidas importantes diante de Mirassol, Cruzeiro, novamente Cruzeiro, pelo Brasileiro, e Botafogo. Antes disso, já havia ficado fora do duelo contra o Vitória e do primeiro confronto das oitavas de final da Libertadores, no Mineirão.
A ausência do experiente lateral ganha ainda mais peso porque Ayrton Lucas, justamente o jogador que disputa espaço pela posição, começa a apresentar sinais de recuperação de sua melhor condição técnica. O camisa 6 vem acumulando atuações mais consistentes e pode aproveitar a sequência para reivindicar definitivamente uma maior participação na equipe.
Mas o ponto que mais alimenta a insatisfação da torcida não está apenas na condição física de Alex Sandro. Está na diferença de tratamento percebida quando o assunto é a renovação de contratos.
Enquanto o Flamengo decidiu prolongar o vínculo de um jogador que tem encontrado dificuldades para permanecer disponível e entregar uma sequência robusta de partidas, Erick Pulgar, peça importante do meio-campo e atleta com participação consideravelmente mais expressiva ao longo da temporada, ainda enfrenta obstáculos nas negociações para renovar seu contrato e obter uma valorização salarial.
É justamente essa aparente discrepância que transforma a situação em um debate de gestão. A discussão não se resume a questionar a capacidade técnica de Alex Sandro, tampouco a defender que Pulgar necessariamente deva permanecer a qualquer custo. O que desperta estranheza é a aparente falta de proporcionalidade entre disponibilidade, minutagem, importância esportiva e reconhecimento contratual.
No futebol de alto rendimento, sobretudo em um elenco que disputa simultaneamente Libertadores e Campeonato Brasileiro, disponibilidade tornou-se um ativo tão relevante quanto qualidade técnica. Um jogador pode possuir enorme currículo e reconhecida capacidade, mas, se não consegue estar regularmente à disposição, seu impacto sobre o planejamento da temporada inevitavelmente diminui.
É nesse ponto que a renovação ganha contornos mais delicados.
O Flamengo apostou na experiência do lateral, mas ainda não recebeu, em 2026, a resposta esportiva esperada na mesma proporção da confiança depositada. Paralelamente, Pulgar permanece em uma espécie de compasso de espera por uma negociação que reconheça sua relevância dentro da engrenagem rubro-negra.
A diretoria, portanto, terá de administrar não apenas lesões, carências no elenco e a pressão por reforços, mas também uma questão cada vez mais sensível nos bastidores: como estabelecer critérios coerentes para valorizar e renovar contratos em um grupo que precisa entregar rendimento imediato?
Enquanto Alex Sandro se recupera e Ayrton Lucas ganha espaço, a situação de Pulgar permanece como uma das questões contratuais que o Flamengo precisará resolver. E, para uma equipe que pretende disputar títulos até o fim da temporada, decisões desse tipo podem ser tão determinantes quanto aquelas tomadas dentro de campo.

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