Samuel Lino comemora gol marcado pelo Flamengo sobre o Remo, no MangueirãoGilvan de Souza / Flamengo

Há jogadores que passam pelo campo. E há aqueles que parecem conversar com a bola. Samuel Lino, neste Flamengo, pertence à segunda espécie. É como se tivesse descoberto uma fresta no tempo por onde a bola sempre passa, e ele, quase sempre, chega primeiro.
Os números não deixam espaço para a modéstia: 42 jogos, 12 gols, 10 assistências e 22 participações diretas em gols. São 2.662 minutos em campo, média de 72 minutos por partida. Números que, sozinhos, já fariam barulho. Mas Samuel Lino tem feito algo maior: transformado estatística em espetáculo.
Há nele a velocidade do raio e a insolência dos grandes jogadores. Quando parte para cima, o marcador não sabe se recua, se acompanha ou se pede socorro.
Quando encontra espaço, transforma o gramado em estrada. Quando a bola chega aos seus pés, a torcida parece saber, antes dele, que alguma coisa vai acontecer.
E talvez esteja aí a grandeza do momento. Samuel Lino não é apenas um jogador produzindo números; é um jogador decidindo partidas, alterando o ritmo do Flamengo e despertando no torcedor aquela antiga sensação de que o futebol pode ser uma surpresa permanente.
Doze gols. Dez assistências. Vinte e duas participações.
Samuel Lino marcou na vitória do Flamengo sobre o Remo - Reprodução
Samuel Lino marcou na vitória do Flamengo sobre o RemoReprodução

Mas há uma estatística que nenhuma tabela consegue medir: a expectativa.
Hoje, quando Samuel Lino recebe a bola, o Maracanã espera. E quando o Maracanã espera, é porque reconhece o craque.
No Flamengo de hoje, Samuel Lino não apenas vive o melhor momento. Ele é o momento.