Jorge Jesus com a medalha de campeão brasileiro em 2019Alexandre Vidal / Flamengo

O técnico do Al-Nassr, Jorge Jesus, confessou que se não fosse a pandemia da covid-19, ele provavelmente ainda estaria no Flamengo. O treinador relembrou, em entrevista ao jornal português "Record" publicada nesta terça-feira (10), a passagem pelo Rubro-Negro, em 2019 e 2020, onde teve mais títulos que derrotas, e destacou o quanto se sentiu acolhido pelo elenco na época.

"O maior clube que treinei foi o Flamengo. Segundo os estudos, só o Barcelona supera a 'Nação Rubro-Negra' em número de torcedores. Mas com a grandeza vem a exigência, por vezes sufocante, dada a disputa com o Palmeiras, pelo troféu de 'clube mais titulado do Brasil'", destacou.
Jesus também disse que o grupo era o que mais se preocupava com as táticas aplicadas nos treinos. "Interessavam-se em saber o porquê dos exercícios e das conversas com alguns durante o treino. E eu ficava no gramado a explicar-lhes tudo, no final. Por isso não teria saído daquela Cidade Maravilhosa se não fosse a Covid-19", admitiu.

O treinador ainda relembrou sobre os dias de tensão vividos no início da pandemia. "O meu primeiro teste deu positivo e o segundo deu inconclusivo. Por precaução, fui fechado no apartamento, sozinho. Os médicos visitavam-me vestidos com roupas anti-contágio e os funcionários do clube deixavam a comida na minha porta. Tocavam [a campainha] e saíam antes de eu abrir. Sentia-me numa prisão."
"Via as notícias e no Brasil a Covid parecia sentença de morte. Então decidi, se era para morrer, que fosse em Portugal. E vim embora. Sem a pandemia, se calhar hoje ainda estaria no Flamengo. Entre julho de 2019 e abril de 2020 ganhamos cinco troféus e só perdemos quatro jogos", concluiu.

Pelo Flamengo, Jorge Jesus conquistou Copa Libertadores, Campeonato Brasileiro, Recopa Sul-Americana, Supercopa do Brasil e Campeonato Carioca.