Rio - Em entrevista à "FlamengoTV" nesta última sexta-feira (17), o diretor de futebol José Boto quebrou o silêncio sobre o desligamento de Filipe Luís, uma das decisões mais controversas do clube na temporada. O dirigente português confrontou as críticas de "covardia" pela saída do técnico, ressaltando que a demissão, ocorrida após um 2025 histórico com títulos da Libertadores e do Brasileirão, foi fundamentada em necessidades internas e não na qualidade do ex-lateral.
De acordo com Boto, o cenário pós-conquistas gerou um descompasso que exigia intervenção imediata da cúpula rubro-negra. “Quando se troca treinador, não quer dizer que aquele treinador é ruim. Às vezes há contextos que não são os mais indicados para aquele treinador. O que se passou aqui foi que, no contexto que estava criado após tanta vitória, uma expectativa enorme, as coisas não estavam alinhadas”, explicou o dirigente, reforçando que o martelo foi batido em conjunto com a presidência.
A análise do departamento de futebol indicou que os problemas acumulados no início de 2026 haviam se tornado irreversíveis. Sem enxergar perspectivas de melhora sob o comando anterior, a diretoria optou por uma mudança drástica no gerenciamento da equipe.
“Decidimos que era preciso uma mudança. Fizemos uma correção de rota, pois estavam existindo coisas dentro da equipe de futebol que eu não via forma de dar a volta com a situação como estava”, afirmou Boto.
Ao comentar o impacto da demissão para a cúpula rubro-negra, o português negou qualquer falta de pulso e reforçou que a escolha foi um desafio direto à opinião pública.
“Vi muitas críticas, coisas como ‘covardia’. Pelo contrário, é preciso uma coragem muito grande para tomar uma decisão dessa. Não tem nada de covardia. A decisão tinha que ser tomada. Se estava certa ou não, saberemos no fim do ano. Não foi uma decisão fácil e sabíamos que íamos tomar muita porrada. Foi um ato de coragem”, concluiu.
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