'Casca grossa': Rogério Brum, que dá expediente como oficial da Polícia Militar, é faixa-preta de Jiu-JítsuIBJJF / DIVULGAÇÃO

Rogério Brum, comandante do Batalhão da Tijuca (6º BPM) e faixa-preta de Jiu-Jitsu formado por Victor Bonfim, o Coelhão, da GFTeam, protagonizou uma intervenção decisiva fora de serviço ao ajudar na contenção de um homem acusado de agredir a esposa grávida, no Rio. O episódio aconteceu enquanto o oficial seguia para uma reunião em uma viatura descaracterizada e presenciou a movimentação de populares ao acionar uma equipe da Patrulha Maria da Penha na região.
Segundo Brum, a decisão de parar e auxiliar os policiais foi imediata e motivada não apenas pelo dever funcional, mas também pela responsabilidade moral adquirida ao longo da carreira e da formação nas artes marciais: “Vendo aquilo, eu perguntei o que estava acontecendo e disseram que tinha um homem batendo na mulher grávida. Pedi para o meu motorista parar para eu ajudar a dupla da Maria da Penha que foi abordar o homem. No vídeo dá pra perceber que na abordagem ao homem, o policial estava sozinho, eu saio de um carro prata pra ajudar”, relatou o comandante.

Durante a abordagem, o agressor apresentou comportamento hostil e tentou se desvencilhar da contenção policial, o que exigiu uma intervenção técnica, utilizando as bases do Jiu-Jitsu: “Ele estava agressivo, falando coisas sem sentido, ameaçando as pessoas e a esposa. Quando o policial foi conversar com a esposa dele, ele tenta sair da posição que eu tinha mandado ele ficar. Nesse momento dei um mata-leão nele e o deitei no chão”, explicou Brum, destacando o cuidado em usar apenas a força necessária para imobilização: “Fiquei dialogando com ele para acalmá-lo e avaliar a posição para não apertar mais do que o suficiente”.

Para o comandante, o episódio reforça a importância do Jiu-Jitsu na formação e atuação policial, especialmente em um cenário urbano complexo como o do Rio de Janeiro. Ele defende que a técnica evita desfechos trágicos em situações de alto risco: “A falta de técnica numa situação dessa pode evoluir para um desdobramento muito ruim, com pessoas feridas ou mortas. O Jiu-jitsu traz confiança, autoconhecimento, disciplina e saúde. Numa profissão como a de policial militar, isso é extremamente benéfico”, afirmou.

O envolvimento de Rogério Brum com o esporte também se traduz em projetos sociais dentro e fora da corporação, como o próprio relatou em um episódio no interior do Rio: “Quando era subcomandante, inaugurei um dojô no 3º BPM, no 27º BPM, fiz um projeto no 41º BPM com crianças carentes e, em Angra dos Reis, no 33º BPM, conseguimos colocar um projeto com indígenas de uma aldeia”, contou.

A iniciativa com os indígenas ganhou destaque após ajudar meninas vítimas de abuso a denunciarem o agressor, que acabou preso.