Johny e Outboxing vêm crescendo no cenário do Boxe (Foto: Divulgação)
“Eu não tinha nenhum vínculo com o Boxe, mas decidi dar uma chance. A partir dali encontrei um mundo mágico, que me ajudou a emagrecer, me trouxe saúde e virou um hobby que eu realmente gostava”, relembra Viccari. Sem qualquer pretensão de se tornar atleta profissional, ele passou a enxergar o esporte como um espaço de bem-estar, disciplina e pertencimento, valores que mudaram sua relação com o corpo e com a rotina.
Com experiência prévia de mais de cinco anos na criação de conteúdo digital voltado ao empreendedorismo, Viccari logo percebeu uma lacuna importante no ambiente online: o Boxe brasileiro carecia de narrativas acessíveis, contadas por alguém que vivesse o esporte como praticante comum. “O conteúdo era quase sempre feito por atletas ou professores. Faltava alguém contando a própria trajetória, algo que já era tendência em outros esportes”, explicou. Foi a partir dessa percepção que nasceu o perfil Esquiva Falando (@esquivafalando), inicialmente pensado como um diário pessoal de emagrecimento e prática esportiva.
Rapidamente, porém, o projeto ganhou notoriedade. A resposta do público mostrou que havia sede por histórias, contexto e cultura. Viccari passou então a assumir uma missão clara: digitalizar o Boxe no Brasil, criando um acervo em português e apresentando o esporte para além do estigma da violência. “O Boxe ainda é muito comunicado como defesa ou agressividade. Pouco se fala da nobre arte, do respeito, da cultura das academias e da disciplina que o esporte carrega”, afirmou.
Essa visão encontrou total sintonia com o Outboxing Fight Night, evento que chamou sua atenção desde as primeiras edições. Para Viccari, o OFN representa uma ruptura com práticas antigas do Boxe nacional, oferecendo estrutura, organização e respeito aos atletas. “A Outboxing tinha uma proposta diferente da maioria dos eventos com o OFN. Boa estrutura de vestiário, bons combates, transmissão de qualidade e, principalmente, respeito. Isso conversa diretamente com tudo o que eu acredito para o Boxe brasileiro”, destacou.
O primeiro contato aconteceu durante uma visita a Rio Claro (SP), onde Viccari produzia um documentário sobre uma academia local. Foi ali que conheceu os idealizadores do Outboxing Fight Night, Wallace Moraes e Patricia Rovarotto, e iniciou uma relação construída com presença, troca e confiança. Pouco tempo depois, veio o convite para atuar como apresentador e repórter do evento. “É aquele tipo de história em que você constrói a própria sorte. Precisa se expor para que as oportunidades aconteçam”.
Nos bastidores do Outboxing Fight Night, Viccari encontrou histórias que reforçaram ainda mais seu compromisso com o esporte. A convivência próxima com atletas revelou realidades duras e pouco conhecidas do público. “Tem lutador que, dias antes da luta, está batendo laje para pagar a preparação. Muitos têm outros trabalhos fora do Boxe para se sustentar”, relatou. Essa vivência aprofundou sua vontade de ajudar a transformar o cenário profissional no Brasil.
Diferente do repórter tradicional, Viccari construiu sua atuação a partir da proximidade. Ele treina Boxe, frequenta academias e mantém relações de amizade com muitos atletas e personalidades, o que gera entrevistas mais humanas e profundas. “Eu me vejo como um porta-voz de quem não tem acesso aos bastidores. Minha missão é levar para quem está em casa um pouco da emoção real que a gente vive ali dentro”, definiu o paulista, que já atuou em duas edições do OFN.
Ao unir sua trajetória pessoal, a criação de conteúdo e a experiência nos bastidores do Outboxing Fight Night, Johny Viccari se tornou parte de um movimento maior: o de resgatar a nobreza do boxe brasileiro e ajudar a contar suas histórias com respeito, contexto e humanidade. Um caminho que, assim como o próprio OFN, ainda está em construção - mas já mostra que veio para ficar.

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