Adriana Araújo sonha em retornar à ação na terceira edição do Outboxing Fight Night (Foto: @alinebassi)

A trajetória da baiana Adriana Araújo é marcada por mudanças forçadas, escolhas difíceis e uma relação quase inevitável com o esporte. Antes de entrar para a história como a primeira brasileira medalhista olímpica do Boxe, ela sonhava com uma carreira no futebol. O caminho, no entanto, foi interrompido cedo pela falta de espaço para mulheres e pelas limitações financeiras da família - fatores que acabaram conduzindo Adriana, quase por acaso, ao ringue.

Foi aos 17 anos, por influência de uma amiga, que o Boxe surgiu não como ambição, mas como alternativa. O que começou como uma forma de cuidar do corpo e aliviar tensões rapidamente se transformou em refúgio emocional e oportunidade de vida. “Na verdade, foi o Boxe que me escolheu, eu não escolhi o Boxe”, relembra Adriana, resumindo o início de uma história que mudaria para sempre seu destino dentro e fora do esporte.

“Eu comecei para cuidar do corpo, mas o Boxe me fez muito bem. Eu era muito estressada, nervosa, e a luta faz o inverso: me deixou mais calma, mais segura”, contou. Aos 18 anos, com o apoio do seu segundo treinador, passou a enxergar no Boxe uma possibilidade real de crescimento e de sustento, dando início a uma trajetória que mudaria sua vida.
A consagração veio anos depois, nos Jogos Olímpicos de Verão de 2012, sediados em Londres, no Reino Unido. Ao faturar o bronze, Adriana se tornou a primeira brasileira medalhista olímpica do Boxe em um período em que a modalidade feminina ainda sobrevivia à sombra do masculino.

“Quando surgiu a oportunidade do Boxe feminino entrar nas Olimpíadas, em 2012, aquilo acendeu uma vontade enorme em mim. A gente vivia das migalhas do Boxe masculino... Quando eu ganhei a medalha, foi um dos melhores momentos da minha vida”, afirmou ela. Mais do que um pódio, a conquista simbolizou visibilidade, respeito e mudança de vida. “Deixei de ser aquela menina sonhadora para me tornar uma mulher conquistadora, uma figura pública. Sou muito grata a Deus e ao Boxe”.

Mesmo longe do auge competitivo, Adriana Araújo nunca se afastou da nobre arte. Hoje, sua rotina envolve aulas - principal fonte de renda - enquanto tem um retorno gradual aos treinos após um período afastada. “A gente para de lutar, mas não deixa o Boxe”, resume. Aos poucos, ela se prepara para encerrar a carreira dentro do ringue da forma que considera ideal, após 26 anos dedicados às lutas.


Desejo de despedida no Outboxing Fight Night

O desejo de despedida passa diretamente pelo Outboxing Fight Night, evento de Boxe que vem ganhando cada vez mais destaque Brasil afora. Programada inicialmente para lutar no OFN 2, Adriana precisou adiar os planos após uma cirurgia no joelho, mas acompanhou a edição realizada em dezembro à distância - e o impacto foi imediato. “Vi a luta da Nadja Jesus com a Dan Bastiere (pelo cinturão do CNB) e só aumentou o meu interesse. É uma organização que trata muito bem os atletas, faz o evento com glamour, mostando a beleza da nobre arte”.

Para Adriana, a Outboxing representa algo que sempre fez falta no cenário nacional. “Os atletas brasileiros ainda são carentes de bons eventos de Boxe, que chamem atenção e façam diferença na vida do atleta. O Outboxing Fight Night veio para ajudar nesse sentido, dar mais chances e realmente ficar”, disse. Ela também destacou a importância do evento para o crescimento do Boxe feminino, que hoje vive uma realidade muito diferente da que encontrou no início da carreira.

A medalhista olímpica faz questão de reconhecer os avanços, mas sem romantizar o caminho. “Hoje é lindo ver eventos grandes no mundo com o Boxe feminino em lutas principais. Isso era impossível há 15 ou 20 anos. A diferença é gritante, mas ainda há muito para melhorar, principalmente na valorização e na igualdade de bolsas entre homens e mulheres”, analisou.

Com o futuro já no horizonte, Adriana é direta sobre seus planos. “Estou fazendo de tudo para que este seja o último ano da minha carreira como atleta. Quero terminar da melhor maneira possível”. E, se depender da vontade, o palco está definido. “Espero estar pronta e ser convidada para a terceira edição do OFN. Meu desejo é enfrentar a Nadja Jesus”, concluiu, deixando claro que ainda há capítulos importantes a serem escritos dentro do ringue do Outboxing Fight Night.

Atualmente aos 44 anos, Adriana Araújo é natural de Salvador, na Bahia. Ela coleciona sete lutas no Boxe profissional, tendo sido campeã mundial silver e campeã sul-americana pelo WBC, além de ser uma das pioneiras da nobre arte no Brasil.