Parceria entre APAE Rio e Sindilutas segue firme(Foto: Reprodução)

As artes marciais têm se consolidado, nos últimos anos, como uma ferramenta relevante no processo de inclusão social de pessoas com deficiência e transtornos do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Muito além do viés competitivo, modalidades como Jiu-Jitsu, Judô, Caratê e Taekwondo têm sido aplicadas com abordagens pedagógicas adaptadas, priorizando desenvolvimento motor, autonomia, socialização e fortalecimento emocional.

Em meio à essa importância citada, o faixa-preta e professor Fabrício Xavier, presidente do Sindilutas, esteve na última segunda-feira (2) na APAE Rio (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), instituição filantrópica fundada dedicada à assistência social e saúde de pessoas com deficiência intelectual e múltipla.

A APAE oferece atendimento multidisciplinar, incluindo reabilitação, inclusão escolar e programas de emprego apoiado, visando autonomia e melhor qualidade de vida. Diante disso, Fabrício Xavier trouxe à instituição a possibilidade de desenvolvimento de um programa voltado às artes marciais inclusivas.

"Estivemos na APAE Rio, que inspira até hoje todo esse movimento de inclusão no Rio, lançando um programa inédito: o programa de artes marciais inclusivas. Trata-se de algo além de um curso, é uma formação continuada, onde vai haver anamnese, testes, avaliações constantes e também um curso, onde ao término dele, o profissional terá a sua formação, o seu registro e um selo de qualidade e acompanhamento da Prefeitura do Rio de Janeiro, do Sindilutas e da APAE", destacou o presidente do Sindilutas.

Empolgado com a iniciativa, Marcus Soares, gestor da APAE Rio, destacou a parceria: "É um momento muito gratificante para nós estar participando desse projeto. A arte marcial deve ser incentivada, faz bem para a nossa juventude e deve ser cada vez mais apoiada. Tenho certeza que aqui nós vamos colher muitos frutos bons dessa interação entre o Sindilutas, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro e a nossa APAE. Somos a primeira APAE do Brasil, onde começou o movimento APAEano, e quem sabe, daqui sairemos para todo o estado e também para todo o Brasil nesse projeto inovador", destacou.

Luis Valério, presidente da APAE Rio e fundador do Instituto Autismo Rio de Janeiro, também esteve presente no encontro e celebrou: "Com certeza vamos levar esse projeto também para todo o Estado do Rio de Janeiro, iniciando aqui na nossa APAE Rio. Vai ser um projeto inovador, que vai ajudar muitas pessoas com deficiência e transtornos".

Márcia Rocha, Superintendente da APAE Rio e gestora da Federação do Rio de Janeiro, trouxe mais detalhes sobre o trabalho desenvolvido ao longo dos anos na assistência às pessoas com deficiência intelectual e múltipla.

"Agradecemos essa parceria, porque sabemos que no processo de inclusão, precisamos estar ocupando os espaços e trabalhar de uma forma biopsicossocial. A questão do contato, muitas vezes, é a maior dificuldade que as pessoas com autismo têm. Com isso, a arte marcial nos ajuda a chegar de uma forma a ela começar a ter esse contato. É importante termos essa troca, essa capacitação, onde possamos entender melhor como funciona a pessoa que tem o transtorno, como também a sua família", disse Márcia, que seguiu:

"Fortalecemos as práticas, principalmente biopsicossociais, até para que o próprio governo reconheça esse tipo de avaliação biopsicossocial, não apenas a avaliação médica. É um avanço para o fortalecimento de todo o movimento de defesa das pessoas com deficiência. Então vemos com bons olhos essa parceria, ficamos felizes da APAE Rio estar sendo berço desse momento novo.

Hoje temos uma média de 12.500 pessoas no município do Rio que estão aguardando vagas, todas com autismo, para ter qualquer tipo de atendimento na área da saúde. Então isso é muito positivo", finalizou.

Sob uma perspectiva técnica, a prática regular de artes marciais contribui para o aprimoramento da coordenação motora global, equilíbrio, lateralidade e consciência corporal - aspectos frequentemente afetados em pessoas com deficiências físicas, intelectuais ou transtornos como TDAH e TEA. No campo psicossocial, as artes marciais também atuam como instrumento de construção de autoestima e pertencimento.

Dessa forma, o tatame e o dojô deixam de ser apenas espaços de treinamento e passam a representar ambientes estruturados de inclusão, onde o esporte cumpre um papel que ultrapassa a performance: torna-se ferramenta de transformação social e desenvolvimento humano.