Rogério Minotouro deu sua opinião sobre a importância dos projetos sociais no meio das artes marciais(Foto: Dai Bueno)
Rogério Minotouro reforça importância do acompanhamento individual no primeiro encontro do Ciclo do Conhecimento
Referência em projetos sociais, Minotouro participou do painel "Lutas e Projetos Sociais", e ressaltou que acompanhamento individual pode ser decisivo para a permanência e formação dos alunos
O papel das artes marciais como instrumento de transformação social esteve no centro do primeiro encontro do Ciclo do Conhecimento, realizado na última terça-feira (11), na Universidade Estácio, no Maracanã (RJ).
Parte da programação que antecede o Global Sports Conference 2026, o encontro reuniu atletas, educadores, gestores e profissionais ligados às lutas para discutir como o esporte pode contribuir para a formação de crianças e jovens, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Entre os participantes esteve Rogério Minotouro, ex-lutador de MMA com passagens pelo UFC e PRIDE, além de trajetória no Boxe e atuação de destaque em projetos sociais.
Cofundador do Instituto Irmãos Nogueira, Minotouro levou ao debate uma visão construída a partir de sua experiência dentro e fora dos tatames. Para ele, o trabalho desenvolvido em projetos sociais não pode se limitar ao ensino das técnicas das artes marciais. O professor exerce uma função que envolve acompanhamento, escuta e atenção individual aos alunos, sendo fundamental estabelecer uma relação próxima não apenas com os praticantes, mas também com suas famílias.
Durante o painel, Rogério Minotouro chamou atenção para a necessidade de os professores conhecerem a realidade de cada aluno e identificarem possíveis dificuldades antes que elas provoquem o afastamento das atividades.
"Ele (professor) tem que conversar com o aluno todos os dias sobre problemas de relacionamento (envolvendo o aluno). O professor precisa ter um papo com a mãe (do aluno) e passar durante alguns meses pela turma toda. Não tem como ele passar um ano sem ter uma conversa privada com aquele menino. Muitas vezes o menino deixa (a academia) porque o professor não olhou no olho dele, vai passar um ano e o professor não sabe nem o nome dele", relatou Minotouro.
A fala de Minotouro dialoga diretamente com um dos principais conceitos apresentados durante o primeiro encontro do Ciclo do Conhecimento: a compreensão de que projetos sociais baseados nas artes marciais vão muito além da prática esportiva. Durante o painel “Lutas e Projetos Sociais”, os participantes destacaram questões como disciplina, convivência, construção de valores, pertencimento e criação de perspectivas de futuro.
O professor Felipe Teixeira, um dos coordenadores do projeto, reforçou que o objetivo do Ciclo é levar informação sobre as lutas como ferramentas de transformação, inclusão e inovação. Fabrício Xavier, presidente do Sindilutas, também ressaltou que um projeto social não é apenas sobre artes marciais, enquanto o faixa-preta Pedro Bombom destacou a responsabilidade dos professores como exemplos para a próxima geração.
Dentro dessa perspectiva, Minotouro também defendeu a criação de processos de acompanhamento capazes de garantir que nenhum aluno seja esquecido dentro de uma turma. Para Rogério, a organização e a atenção individual podem contribuir diretamente para que crianças e jovens se sintam acolhidos e tenham maior vínculo com o projeto, além de aproximar os professores das famílias.
"Quando a gente cria um processo, onde existe uma conversa privada, isso tem que acontecer. Faz chamada, observa quem está faltando. Quem estiver faltando, precisa ligar para ver o que está acontecendo. O professor precisa criar um sistema, porque, caso contrário, passa um ano e você não 'olhou na cara' do seu aluno. Se cada um tiver um sistema de atenção, de ligar, mandar mensagem, passa por todo mundo e os alunos se sentem mais acolhidos. Os pais sabem que o professor existe e vice-versa", finalizou.
O Ciclo do Conhecimento é uma iniciativa idealizada e submetida por Felipe Guimarães Teixeira, contemplada com fomento da FAPERJ. O projeto tem a Universidade Estácio de Sá como instituição representante e vinculada à sua execução, contando ainda com o apoio do Instituto Comunidade Saudável. Integrado à programação de extensão do Global Sports Conference 2026, o projeto busca promover debates e conexões entre esporte, educação, saúde, inclusão e cidadania, utilizando as artes marciais como ferramenta de transformação social.
Próximos encontros
Após a abertura dedicada ao tema “Lutas e Projetos Sociais”, o Ciclo do Conhecimento terá como segundo encontro o painel “Luta e Resiliência: Mulheres no combate ao assédio e à conquista de espaço”, programado para a próxima quinta-feira (20), na Estácio Copacabana. A conversa reunirá Carla Ferreira, Lu Neder, Mel Lissey e Tatiana Cordeiro para abordar desafios, enfrentamento ao assédio, resiliência e a conquista de espaço das mulheres no universo das lutas.

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