Adriana Araújo segue escrevendo o seu nome na história do Boxe (Foto: Priscila Tessarini)
“Olhar para trás agora, com a poeira baixada e a mente mais calma, traz uma sensação de gratidão. O OFN4 não foi apenas mais um evento no calendário; foram alguns meses de renúncias, treinos exaustivos, dor e superação”, afirmou Adriana. Na decisão unânime dos jurados, ela superou uma adversária que exigiu estratégia, condicionamento e concentração durante os dez rounds.
A própria campeã aponta o aspecto psicológico como um dos principais fatores para o resultado. Bem preparada fisicamente, Adriana apostou na experiência e no trabalho realizado durante a preparação para controlar os momentos mais difíceis do confronto. “Sabia que seria uma luta muito dura, então procurei me dedicar 100% aos treinamentos técnicos e, principalmente, aos físicos”, explicou.
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Mais do que a conquista individual, porém, o título ganhou um significado especial por ter acontecido no main event de um evento em alta de Boxe profissional. Para Adriana, que acompanhou de perto diferentes momentos da evolução da modalidade, colocar uma disputa feminina no centro de uma noite como o OFN4 representa uma mudança de cenário. “Conquistar o título brasileiro na luta principal de um evento desse porte representa a materialização de uma mudança de era no boxe feminino”.
A campeã lembra que, durante muito tempo, as mulheres precisaram lutar também fora dos ringues por espaço, estrutura, patrocínio e reconhecimento. Segundo ela, o fato de uma disputa feminina ocupar o principal horário do OFN4 mostra que essa realidade começa a mudar. “Historicamente, as mulheres não apenas enfrentavam a falta de patrocínio e estrutura, mas eram frequentemente colocadas em segundo plano. Valeu a pena toda luta fora do ringue. Aos poucos estamos chegando aos lugares merecidos”, exaltou.
E a experiência dentro do Outboxing Fight Night também deixou uma impressão positiva. Para Adriana, a principal diferença está na maneira como a valorização do atleta acontece nos bastidores, desde a chegada ao evento até o momento de subir ao ringue. “O que mais chama a atenção quando se vive o evento de dentro é perceber que a valorização do atleta no Outboxing Fight Night não fica só no discurso do marketing, mas na execução prática do bastidor”, ressaltou.
Com o cinturão brasileiro no currículo, Adriana agora já mira além das fronteiras nacionais. A vitória no OFN4, segundo a própria pugilista, funciona como um divisor de águas e aumenta a confiança para buscar voos mais altos. “Esse título não apenas consolida o meu domínio no boxe nacional como valida todo o trabalho feito até aqui, mas também serve como o passaporte para o cenário internacional, que é o meu objetivo principal. Ter a oportunidade de disputar um título internacional, mas principalmente me tornar campeã mundial”, encerrou a também medalhista olímpica em Londres-2012.

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