Fabrício chamou atenção para a necessidade de compreender iniciativas sociais que utilizam as artes marciais (Foto: Dai Bueno)
Entre os participantes esteve Fabrício Xavier, presidente do Sindilutas e profissional com mais de duas décadas de experiência e atuação em projetos sociais. Durante o painel, Fabrício chamou atenção para a necessidade de compreender que iniciativas sociais que utilizam as artes marciais não devem ter como foco principal apenas o ensino esportivo. Para ele, o trabalho desenvolvido nesses espaços envolve, sobretudo, relações humanas e a responsabilidade de contribuir diretamente para a vida dos participantes.
"O projeto social não é sobre artes marciais, é sobre vidas. E se a gente não tiver isso muito claro na nossa cabeça, vamos errar o tempo inteiro, porque muitos pensam que é apenas sobre esporte. Temos que ficar com uma coisa na cabeça: toda relação é uma relação de compra e venda. Toda relação é uma relação de convivência. Toda relação é assim", afirmou.
A declaração de Fabrício Xavier dialoga com a proposta central do primeiro encontro do Ciclo do Conhecimento, que buscou apresentar diferentes experiências sobre a utilização das lutas como ferramentas de transformação social. Ao longo do painel, os participantes ressaltaram que projetos dessa natureza podem ultrapassar o ensino técnico e contribuir para a construção de valores, disciplina, convivência, pertencimento e perspectivas de futuro, principalmente entre crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.
A discussão também contou com a participação de Rogério Minotouro, ex-lutador de MMA com passagens por UFC e PRIDE, e atuação como cofundador do Instituto Irmãos Nogueira. Minotouro destacou a importância do acompanhamento individual dos alunos e da construção de vínculos entre professores, praticantes e familiares. Pedro Bombom, lutador profissional de Jiu-Jitsu, também ressaltou a responsabilidade dos professores como referências para a próxima geração, reforçando a dimensão humana do trabalho realizado nas academias e projetos sociais.
O Ciclo do Conhecimento é uma iniciativa idealizada e submetida por Felipe Guimarães Teixeira, contemplada com fomento da FAPERJ. O projeto tem a Universidade Estácio de Sá como instituição representante e vinculada à sua execução, contando ainda com o apoio do Instituto Comunidade Saudável. Integrado à programação de extensão do Global Sports Conference 2026, o projeto busca promover debates e conexões entre esporte, educação, saúde, inclusão e cidadania, utilizando as artes marciais como ferramenta de transformação social.
Próximos encontros
Após a abertura com o tema “Lutas e Projetos Sociais”, o Ciclo do Conhecimento terá seu segundo encontro na próxima quinta-feira (20), na Estácio Copacabana, com o painel “Luta e Resiliência: Mulheres no combate ao assédio e à conquista de espaço”. A programação reunirá Carla Ferreira, Lu Neder, Mel Lissey e Tatiana Cordeiro para discutir desafios, enfrentamento ao assédio, resiliência e a conquista de espaço das mulheres no universo das lutas.
A programação do Ciclo do Conhecimento antecede o Global Sports Conference 2026, que será realizado nos dias 19 e 20 de setembro, no Rio de Janeiro. Primeiro congresso brasileiro dedicado à integração entre ciência, saúde, inovação, educação e impacto social a partir das artes marciais, o evento terá como pilares Ciência, Performance, Inovação e Transformação Social.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.