Kauã Torres, atleta forjado na competitiva escola paulista chega ao Turris Invitational com extenso histórico de títulos na CBJJ e AJP(Foto: Reprodução)

O maranhense Kauã Torres, de 22 anos, está com passagens compradas para o Rio de Janeiro com um grande objetivo em mente: conquistar o título do GP do Turris Invitational, marcado para o dia 14 de novembro, na Upper Arena. Contudo, muito antes de se tornar um dos nomes confirmados no importante evento de lutas, a maior vitória de sua vida foi conseguir mudar o próprio destino por meio de um projeto social.
A infância no Nordeste foi marcada, de início, pela indisciplina. Kauã se definia como uma criança problemática e brigona na escola. Aos 11 anos, por insistência do pai, foi colocado em um projeto social de Jiu-Jitsu que não cobrava mensalidades, já que a família não tinha condições financeiras de arcar com os custos. A regra era clara: para continuar treinando, ele precisava mudar o comportamento. Aos poucos, a agressividade deu lugar à disciplina, ao respeito e à responsabilidade.
Aos 17 anos, o esporte exigiu um salto de fé. O jovem deixou o Maranhão e se mudou para São Paulo em busca do sonho de se profissionalizar. Entre parcerias com grandes equipes, novos aprendizados e dificuldades financeiras longe de casa, Kauã Torres se firmou como atleta e professor na equipe Paganini BJJ. Porém, foi justamente no Rio de Janeiro - cidade que sediará seu próximo grande desafio em novembro - que ele viveu o capítulo mais marcante de sua história.
Poucos dias antes do falecimento de seu avô, que ele havia conhecido apenas aos 19 anos, Kauã viajou ao Rio para competir e ficou hospedado na casa dele. O idoso queria muito ver o neto lutar e vencer. O cenário, contudo, era desanimador. O atleta havia passado por um doloroso corte de peso de quase 10kg e, na véspera do campeonato, uma forte chuva alagou completamente a região.
“A água chegava praticamente no pescoço em alguns lugares. Parecia que tudo estava acontecendo para eu não conseguir chegar. Eu olhei para o meu avô, olhei para a situação e pensei que não daria. Mas eu fui. Foram quase duas horas andando dentro da água até conseguir pegar um ônibus para o ginásio. Fiz cinco lutas e saí campeão”, relembra o atleta.
A medalha conquistada em meio ao caos selou o último presente ao avô e deu um novo significado à sua trajetória. Hoje, com dezenas de troféus importantes no currículo, Kauã Torres se prepara para o Turris Invitational carregando uma certeza que vai além dos tatames.
“Se eu pudesse escolher o maior sonho da minha vida, não seria apenas ser campeão. É conseguir proporcionar uma vida estruturada para a minha família através do jiu-jitsu e, acima de tudo, ser feliz fazendo aquilo que eu amo”, finalizou.