Policiais Civis após a captura dos criminosos em Itaborai Foto: Jornal O DIA

Itaborai - Uma quadrilha que se apresentava como um suposto “Setor de Captura” foi desmantelada após sequestrar um homem em plena via pública, em Piabetá, no município de Magé, o desfecho do caso foi no município vizinho, Itaboraí.
A vítima foi resgatada com vida e seis pessoas foram presas.
O caso veio à tona na manhã do dia 06 de janeiro, quando a polícia recebeu a informação de que um homem havia sido abordado por três indivíduos e colocado à força dentro de um veículo preto, nas proximidades do viaduto do Parque Estrela.
A ação violenta, testemunhada por moradores, gerou pânico e mobilizou imediatamente os investigadores da 66ª Delegacia de Polícia (Piabetá).
Diante da gravidade da denúncia, agentes iniciaram diligências emergenciais, com análise de imagens de câmeras públicas e privadas.
O trabalho de inteligência permitiu rastrear o deslocamento do veículo e localizar o cativeiro improvisado, possibilitando o resgate da vítima antes que fosse levada para fora do estado ou mantida em cárcere por mais tempo.
No aprofundamento das investigações, a Polícia Civil identificou que o crime fazia parte de um esquema estruturado.
Os envolvidos integravam um grupo que se autodenominava “Setor de Captura” e atuava de forma organizada, sendo contratado para retirar pessoas à força das ruas sob o argumento de internação compulsória.
No caso específico, a ação teria sido determinada por familiares da vítima, por iniciativa da ex-esposa, sem qualquer autorização judicial.
Segundo a polícia, os suspeitos monitoravam a rotina da vítima em via pública, aguardando o momento oportuno para realizar a abordagem violenta.
O objetivo era conduzi-la contra a própria vontade a uma unidade terapêutica, prática que configura grave violação à legislação brasileira.
Durante a apuração, os investigadores identificaram que o destino seria um centro terapêutico localizado em Itaboraí, o Centro Terapêutico Eu Quero Viver, unidade que atua com um plano de recuperação estruturado em etapas, voltado ao acolhimento e tratamento de dependentes químicos.
O local oferece acompanhamento com equipe multidisciplinar, incluindo psiquiatra, psicólogos, terapeutas, educador físico e equipe de enfermagem, além de metodologia baseada em psicoeducação, grupos terapêuticos, atividades físicas e ressocialização.
A Polícia Civil ressaltou, no entanto, que independentemente da estrutura ou proposta terapêutica de qualquer instituição, a internação involuntária ou compulsória só pode ocorrer dentro dos critérios legais, mediante laudo médico circunstanciado e, em determinados casos, ordem judicial.
Qualquer privação de liberdade fora desses parâmetros configura crime.
Em tese, os investigados responderão por sequestro com a finalidade de internação em casa de saúde, associação criminosa e violação da Lei da Reforma Psiquiátrica.
A ação contou com apoio da Polícia Rodoviária Federal, que auxiliou na localização e prisão dos envolvidos em Itaboraí.
As investigações seguem em andamento para identificar todos os participantes do esquema, apurar se há outras vítimas e esclarecer se o grupo já havia realizado ações semelhantes em outros municípios.
Em nota, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro afirmou que a operação reafirma o compromisso da instituição com a defesa da legalidade, da dignidade da pessoa humana e da liberdade individual, alertando para o risco de práticas criminosas que se escondem sob o discurso de tratamento ou cuidado terapêutico.