Documento foi apresentado dia 18 de março no Conselho Empresarial do Noroeste Fluminense, em Itaperuna Foto Vinicius Magalhaes/Firjan/Divulgação
Potencial planejado da região noroeste é realçado em estudo da Firjan
Dados estão no estudo "Rio futuro: vocações e potencialidades econômicas do Rio de Janeiro elaborado pela federação
Itaperuna - As vocações industriais atuais e potenciais, a partir da análise integrada de dados e da escuta ativa de especialistas, de modo a traçar recomendações estratégicas estão mapeadas no estudo “Rio do futuro: vocações e potencialidades econômicas do Rio de Janeiro”. É focado na região noroeste fluminense.
O trabalho da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) foi elaborado para orientar um novo ciclo de desenvolvimento para o estado, e apresentado no dia 18 no Conselho Empresarial do Noroeste Fluminense, em Itaperuna, com a presença do presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.
Está constatado que a região pode aproveitar vocações relacionadas à geração de energia solar e a partir de resíduos florestais, além de ter na logística uma via estratégica de desenvolvimento. Entre as principais vocações estão Papel e Embalagem (1.333 empregos), Agropecuária Leiteira (805) e Cluster de Rochas Ornamentais (1.123).
Outro ponto ressaltado no estudo é que o noroeste “já parte de um crescimento de 16% no Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos 10 anos – o quarto maior do estado –, tendo 19% dos mais de 68 mil empregos no setor industrial – acima, portanto, da média de 10% do estado do Rio”. Caetano resume que o estudo agrega dados oficiais com a opinião de empresários a partir de suas rotinas e desafios.
“Mostramos as oportunidades de crescimento na região para que os industriais possam se desenvolver, e para que o poder público possa tomar as ações necessárias”, diz acentuando: “Consideramos uma ferramenta completa para melhorar a qualidade de vida de moradores e trabalhadores do noroeste fluminense”.
GRANDE POTENCIAL - De acordo com o levantamento, “os desafios se apresentam na necessidade de melhoria da gestão fiscal do município, de aumento de renda da população e de aprimoramento do fornecimento de energia e água, fortalecendo o ambiente de negócios e a qualidade de vida”.
Diante do constatado, visando superar os desafios, a Firjan sugere propostas estruturantes para as esferas estadual e federal, que envolvem governança, segurança pública, transição energética e infraestrutura logística. Entre as sugestões estão restauração de seis rodovias, duplicação da RJ-116 a partir de Macuco e licitação da BR-356, garantindo acessos adequados a áreas industriais.
Na avaliação do presidente da Firjan Noroeste Fluminense, José Magno Vargas Hoffmann, o estudo mostra atividades industriais de grande potencial de desenvolvimento, como os setores de Construção, Metalmecânico e Papel e Celulose: “Mas para isso dependemos de uma boa oferta de energia e de mão-de-obra qualificada”, sugere.
Hoffmann observa que “são pontos nevrálgicos do desenvolvimento que vêm sendo o foco da federação junto às autoridades e, no caso da formação de trabalhadores, com iniciativas como a inauguração do novo Ensino Médio integrado ao Técnico da Escola Firjan SESI, nesta quarta-feira, que aumentou em 100% sua capacidade”.
BASE DA ANÁLISE - Os diferentes caminhos para as potencialidades regionais descritas no estudo são apontados pelo especialista em Estudos de Competitividade da Firjan, Marcio Felipe Afonso: “A região tem na logística uma oportunidade importante de desenvolvimento; este é também um dos gargalos que precisa ser superado e envolve medidas integradas do poder público, com o apoio da Firjan”.
A federação explica o estudo foi desenvolvido para orientar um novo ciclo de desenvolvimento do estado: “O Rio tem vocação de potência — reúne ativos estratégicos únicos, uma localização privilegiada, um ecossistema científico robusto e um dos maiores mercados consumidores do país”, ressalta.
De acordo anda com a Firjan, o trabalho se baseou na análise de indicadores econômicos nacionais, apontando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fundação Getúlio Vargas (FGV), Banco Central (BC), entre outros; além da escuta a 200 especialistas com notório conhecimento do estado, empresários e gestores públicos, gerando o mapeamento de 125 atividades industriais no Rio de Janeiro.
“No cenário base, o PIB da indústria do estado cresceria R$ 279 bilhões em 10 anos”, pontua a federação concluindo: “Com o estímulo estratégico dessas vocações, esse crescimento pode chegar a R$ 489 bilhões no mesmo período, um acréscimo de R$ 210 bilhões - mais que dobrando o potencial de expansão da indústria fluminense”.

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