Karol Schittini relata que um dos pontos altos da montagem é a abordagem dos desafios enfrentados por Inezita Foto Assessoria/Divulgação
Musical inédito vai marcar centenário de Inezita Barroso
Estreia do "Eu Me Agarro na Viola" acontece no dia 26, em Itaperuna, com entrada gratuita e equipe de criação formada exclusivamente por mulheres
“Eu Me Agarro na Viola – 100 anos de Inezita Barroso” marca o centenário de nascimento de uma das maiores referências na preservação e difusão da música caipira brasileira. A homenagem especial a Inezita Barroso ganha os palcos fluminenses, com estreia dia 26 de setembro, às 19 horas, no teatro do SESI, em Itaperuna (RJ).
Idealizado pela atriz e pesquisadora Karol Schittini, o espetáculo propõe um mergulho profundo na trajetória da artista que transformou a viola, a pesquisa e a arte em instrumentos de vanguarda, rompendo barreiras de gênero e abrindo caminhos para futuras gerações de mulheres na música.
A montagem foi contemplada pelo Edital SESI Mosaico na categoria Multilinguagens e transita pela rica história de Ignez Magdalena Aranha de Lima (Inezita Barroso), cuja genialidade se desdobrou como cantora, atriz, instrumentista, bibliotecária, folclorista, professora e apresentadora de rádio e TV.
Os acontecimentos marcantes da vida de Inezita - primeira mulher a gravar uma canção sertaneja, ainda em 1938 – enriquecem o espetáculo, a partir das próprias canções que ela recolheu e interpretou ao longo de mais de cinco décadas de carreira, selecionadas a partir de uma discografia de quase 70 álbuns.
MUITOS DESAFIOS - Sob a direção de Adriana Schneider e dramaturgia de Márcia Zanelatto, Karol Schittini pontua que a narrativa (com duração de 60 minutos e classificação 14 anos) viaja pelas experiências da homenageada no campo e na cidade, destacando suas expedições de jipe na década de 1950 para registrar os cantos e as modas das tradições .
A pesquisadora resume que um dos pontos altos da montagem é a abordagem dos desafios enfrentados por Inezita em ambientes majoritariamente masculinos: "O espetáculo é uma forma de manter viva a memória de uma mulher que enfrentou muitos limites impostos às artistas de seu tempo e transformou a viola em instrumento de pesquisa, resistência e expressão".
A equipe de criação é totalmente integrada por mulheres — incluindo a sanfoneira Joyce Sales e a diretora musical Claudia Elizeu. Karol realça que o o projeto conecta a tradição da cultura caipira ao público jovem, servindo de inspiração sobre autonomia feminina e salvaguarda da memória cultural do Brasil.
A realização é da Trupiniquim Produções, microempresa que desde 2012 já acumulou mais de 20 produções cênicas e turnês por nove países da América do Sul e Europa. A apresentação no SESI Itaperuna terá entrada franca, com os ingressos liberados para retirada diretamente na bilheteria do teatro uma hora antes do início do espetáculo.

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