Professores da rede municipal de Macaé participam de oficina prática sobre acomodação sensorial para alunos com TEAFoto: Divulgação
Educação em Macaé investe em práticas inclusivas para alunos com TEA
Especialistas destacam importância da acomodação sensorial em sala de aula durante formação continuada de professores
Macaé - O Grupo de Estudos em Transtorno do Espectro Autista (Gete), ligado ao Centro de Formação Professora Carolina Garcia, promoveu um encontro especial na manhã desta sexta-feira (29), na Cidade Universitária de Macaé. A atividade contou com a presença da professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Aline Guerra, que conduziu a palestra “Materiais para Acomodação Sensorial” e realizou uma oficina prática com os educadores da rede municipal.
A iniciativa faz parte da formação continuada de 20 horas voltada a profissionais da educação. O objetivo é ampliar o repertório dos professores para lidar com alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo maior inclusão e qualidade no processo de ensino-aprendizagem.
Segundo Aline Guerra, a acomodação sensorial é uma ferramenta fundamental para melhorar a concentração, reduzir a ansiedade e estimular a participação ativa dos estudantes em sala. “Quando oferecemos recursos de acomodação, damos a oportunidade para que a criança se autorregule, encontre segurança e consiga organizar suas emoções e respostas atencionais. Isso impacta diretamente na aprendizagem e no bem-estar”, explicou.
Entre as recomendações apresentadas, a especialista destacou a necessidade de adaptar o ambiente escolar, criar espaços tranquilos, limitar o tempo de uso de dois a cinco minutos dos materiais e permitir que os alunos escolham os recursos que melhor atendam às suas necessidades. Aline também ressaltou a importância de identificar as causas por trás de comportamentos inesperados: “Muitos sinais de agitação revelam que o aluno precisa de apoio. O papel do educador é oferecer segurança e investigar o que está por trás daquele comportamento”.
A experiência foi considerada enriquecedora pelos participantes. A professora Renata Ferreira, que atua há duas décadas no Atendimento Educacional Especializado (AEE), contou que já aplica algumas práticas em sala de aula e pretende repassar os novos aprendizados à equipe da Escola Municipal de Educação Infantil Professor José Augusto Abreu Aguiar. “É um conhecimento valioso. Com certeza vai ajudar a melhorar o nosso trabalho no dia a dia”, afirmou.
A professora Viviane Pessoa, do Colégio Municipal Renato Martins, destacou a importância de estar em constante atualização. “A aula foi muito proveitosa. Sempre precisamos pensar fora da caixinha e buscar novas formas de atender nossos alunos. Esse tipo de formação nos fortalece como educadores”, disse.
Durante a oficina, os participantes também tiveram contato com alternativas de baixo custo ou recicláveis para serem utilizadas como recursos sensoriais. A proposta é mostrar que não é necessário um grande investimento financeiro para criar estratégias eficazes.
Coordenado pela professora Viviane Lione, da UFRJ e da UFF, o Grupo de Estudos em TEA iniciou as atividades no último dia 15 e segue até 12 de dezembro. Ao longo do curso, serão discutidos temas como comunicação aumentativa e alternativa, atividades do cotidiano escolar, alfabetização de estudantes autistas e práticas de ensino no Fundamental II.
Com esse projeto, Macaé reforça o compromisso com uma educação inclusiva, que reconhece as particularidades de cada aluno e valoriza a formação contínua de seus professores.

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