Cena do documentário registra cotidiano de moradores que vivem às margens do Canal Campos-MacaéFoto: Divulgação

Macaé - Marcelo Fonseca colocou o interior do Rio de Janeiro no mapa das grandes discussões ambientais ao levar o documentário Memórias Perdidas no Canal para a COP30, que acontece neste sábado, no Blue Zone, área considerada o coração das negociações e dos encontros de chefes de Estado. A exibição, marcada das dez às onze e meia da manhã, acontece no estande do Comitê Hidrográfico da Bacia do São Francisco, um dos espaços mais visitados da conferência.
O filme, produzido com recursos da Lei Paulo Gustavo e apoio do Ministério da Cultura, nasceu em Macaé, mas carrega a força de quatro cidades do Norte Fluminense. As gravações percorreram Macaé, Carapebus, Campos e Quissamã para revelar a história do Canal Campos-Macaé, obra monumental do Brasil Império e segundo maior canal artificial do mundo. Construído para integrar o interior ao Porto da Imbetiba, o canal hoje expõe uma ferida: parte do legado foi preservado, outra parte virou esquecimento.
No documentário, Marcelo guia o público por uma viagem que mistura água, memória e identidade. Cada depoimento mostra um Brasil que muita gente não conhece. Moradores antigos, pesquisadores e personagens que convivem diariamente com o canal revelam como o território resiste entre abandono, desigualdades e lembranças apagadas. O contraste entre passado e presente dá força à narrativa, que transforma o chamado “valão” em patrimônio vivo.
O diretor reforça que o filme só existe porque políticas culturais chegaram ao interior. Para ele, uma produção realizada com recursos municipais estar hoje na COP prova o poder da cultura quando recebe investimento. A obra também reúne uma equipe formada por profissionais da região, responsável por fotografia, edição, som, acessibilidade e produção executiva.
Memórias Perdidas no Canal segue como um grito por preservação. Mais do que um registro histórico, o documentário expõe as marcas do tempo, valoriza as comunidades que mantêm viva a história do canal e lembra que desenvolvimento sem memória não constrói futuro.