Equipes de saúde de Macaé discutem dados e estratégias para ampliar o cuidado integral da população negraFoto: Douglas Smmithy

Macaé - Macaé começa a dar um passo mais direto para enfrentar desigualdades históricas na área da saúde. O Programa Saúde da População Negra avança na preparação de ações específicas voltadas ao cuidado, à escuta e ao acesso qualificado da população preta e parda aos serviços da rede municipal, reforçando o compromisso com equidade, dignidade e respeito às diferenças.
O movimento ganha força após o município se destacar no 1º Workshop Geografia da Saúde: Novas Fronteiras para a Vigilância em Saúde, realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A partir desse reconhecimento, o programa passa a organizar iniciativas que vão além do atendimento clínico, incorporando diálogo, análise de dados e construção de políticas públicas mais justas.
Alinhado à Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, o programa reconhece que fatores sociais e o racismo estrutural influenciam diretamente o adoecimento e o acesso ao cuidado. Para 2026, estão previstas rodas de conversa sobre autocuidado nas unidades de saúde da família, seminários voltados à leitura de dados epidemiológicos com recorte raça e cor, além de ações intersetoriais que envolvem áreas como educação, desenvolvimento social, igualdade racial e ouvidoria.
Os números ajudam a explicar a urgência do tema. Levantamentos da rede municipal apontam que a maioria dos atendimentos ambulatoriais e das internações hospitalares envolve pessoas pretas ou pardas. Doenças como hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca, tuberculose, sífilis congênita e complicações na gestação aparecem de forma desproporcional nesse grupo, revelando um cenário que exige respostas específicas e contínuas.
A análise desses dados é feita pela Divisão de Informação e Análise de Dados, ligada à Vigilância em Saúde, que orienta o planejamento das ações. A proposta é transformar números em estratégias de cuidado, garantindo prevenção, diagnóstico oportuno, tratamento adequado e acompanhamento humanizado.
Integrado a outros programas da rede municipal, como Saúde do Homem, Anemia Falciforme, ISTs, Tuberculose e Hanseníase, o Programa Saúde da População Negra reafirma o direito à saúde como um direito social, que só se concretiza plenamente quando considera as realidades e necessidades de quem mais precisa.