Equipe do programa discute estratégias e troca experiências para fortalecer políticas de saúde voltadas à população negraFoto: Douglas Smmithy

Macaé - Macaé avança na construção de políticas públicas que reconhecem a diversidade e enfrentam desigualdades históricas no acesso à saúde. O Programa Saúde da População Negra entrou em uma nova fase de planejamento e articulação, com ações previstas para 2026 que ampliam o alcance do cuidado, fortalecem a formação de profissionais e aprimoram o uso de dados para orientar decisões no sistema de saúde.
O trabalho inclui capacitações, campanhas educativas, articulação com outras secretarias e diálogo com experiências de outros municípios. A troca de informações com representantes do programa de São Gonçalo marcou esse processo, permitindo a análise de avanços, desafios e caminhos para garantir atendimento mais justo e eficiente.
Em Macaé, o programa integra a área de Vigilância em Saúde e é coordenado por Jéssika Celestino e Rosana Feliciano. A iniciativa segue as diretrizes da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, que reconhece o racismo como determinante social da saúde e defende ações de promoção, prevenção e tratamento considerando as especificidades da população negra.
Entre as estratégias previstas estão cursos de letramento racial, seminários temáticos, reuniões técnicas, visitas a comunidades tradicionais e ações nas unidades de saúde e escolas. A proposta é fortalecer o atendimento, qualificar profissionais e ampliar a escuta da população, criando respostas mais adequadas às demandas locais.
Dados recentes reforçam a relevância do tema. Segundo o IBGE, 62% da população de Macaé se declara preta ou parda. Na rede municipal de saúde, mais da metade dos atendimentos ocorre entre esses grupos. Indicadores epidemiológicos também apontam maior impacto de doenças cardiovasculares, infecciosas e genéticas na população negra, o que exige políticas públicas orientadas por evidências e sensibilidade social.
Ao ampliar o debate, qualificar o cuidado e produzir informações mais precisas, o programa busca transformar o cotidiano dos serviços de saúde e reduzir desigualdades que ainda marcam o acesso ao SUS. A meta é clara: garantir atendimento digno, oportuno e humanizado para todos.