Parlamentares de Macaé ampliam debate sobre proteção às mulheres e reforçam necessidade de avançar nas políticas públicasFoto: Ilustração
Vereadoras destacam avanço histórico em Macaé, mas cobram reforço na proteção às mulheres
Marca de 16 meses sem feminicídio é comemorada, porém desafios como subnotificação e estrutura ainda preocupam
Macaé - As vereadoras de Macaé colocaram em pauta um dado que chama atenção no Estado do Rio: o município completou 16 meses sem registro de feminicídio. O número representa um avanço importante, mas, dentro da Câmara, o entendimento é claro. A conquista não significa o fim da violência contra a mulher, e sim um sinal de que o caminho adotado precisa ser mantido e ampliado.
A leitura feita pelas parlamentares parte de uma realidade que vai além das estatísticas. Mesmo sem registros de mortes, ainda existem casos de agressões, tentativas de feminicídio e situações que não chegam ao conhecimento das autoridades. O silêncio de muitas vítimas, motivado por medo, dependência financeira ou pressão social, segue como um dos principais obstáculos no enfrentamento ao problema.
A vereadora Liomar Queiroz destaca que o resultado é fruto de uma construção coletiva, que envolve poder público e sociedade. Para ela, o aumento da informação e da conscientização tem papel fundamental, mas ainda há lacunas importantes. A ausência de uma estrutura mais robusta para atendimento especializado, como uma delegacia com mais recursos, é apontada como um dos desafios. Ela também chama atenção para a necessidade de identificar sinais de violência antes que a situação se agrave.
Leandra Lopes amplia o debate ao destacar que a ausência de feminicídios não elimina a violência cotidiana. Segundo a vereadora, muitas mulheres continuam vivendo em ambientes inseguros, mesmo após denunciar. Ela defende o fortalecimento de políticas de acolhimento imediato, como abrigos temporários ou alternativas emergenciais que garantam segurança às vítimas. Para Leandra, o avanço institucional já é visível, mas ainda precisa alcançar quem mais precisa, no momento mais crítico.
A integração entre diferentes áreas aparece como um dos pilares dessa evolução. Com experiência na gestão da saúde, a vereadora Dra. Mayara Rezende ressalta que o trabalho conjunto entre segurança pública, assistência social e saúde tem sido decisivo para evitar desfechos mais graves. Ela destaca que o acompanhamento das vítimas, aliado ao uso de dados para mapear áreas de risco, permite ações mais eficientes e direcionadas.
A vereadora Manu Rezende traz para o debate um olhar voltado às novas gerações. Segundo ela, cresce a preocupação com casos envolvendo mulheres mais jovens, o que exige estratégias específicas de prevenção. Campanhas educativas mais diretas, presença nas escolas e ações de conscientização são apontadas como caminhos para romper o ciclo de violência desde cedo.
Outro ponto comum entre as parlamentares é a importância da autonomia financeira. Todas reforçam que a independência econômica é um fator decisivo para que mulheres consigam sair de relações abusivas. Nesse contexto, políticas públicas voltadas à qualificação profissional e geração de renda passam a ser vistas também como ferramentas de proteção.
A presença feminina no Legislativo de Macaé, hoje mais expressiva, também é considerada um diferencial. As vereadoras destacam que a atuação conjunta fortalece propostas, amplia o debate e garante que a pauta da proteção à mulher permaneça no centro das decisões. A troca de experiências e a diversidade de trajetórias contribuem para um olhar mais completo sobre o problema.
O cenário atual mostra que o município avançou, com redução de indicadores e fortalecimento de políticas públicas. Ainda assim, o entendimento é de que o trabalho precisa ser contínuo. A ausência de feminicídios é celebrada, mas não reduz a responsabilidade de manter vigilância constante e aprimorar a rede de proteção.
A discussão segue ativa e necessária. O dado positivo abre espaço para planejamento, investimento e ajustes. Em Macaé, o consenso entre as parlamentares aponta para um caminho claro. Proteger vidas exige ação permanente, escuta ativa e políticas públicas que alcancem cada mulher, em todas as fases da vida.

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