Operação da Polícia Federal em Macaé apura esquema internacional de lavagem de dinheiro e pirâmide financeiraFoto: Reprodução

Macaé - O nome de Macaé voltou a aparecer no radar de uma grande operação policial após agentes da Polícia Federal desencadearem, nesta quinta-feira (21), uma ofensiva contra um suposto esquema internacional de lavagem de dinheiro e crimes financeiros. A chamada Operação Fortuito 4 mobilizou equipes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Rio de Janeiro e teve desdobramentos simultâneos também em São José dos Campos, no interior paulista.
A investigação aponta a existência de uma organização criminosa suspeita de operar um sistema de pirâmide financeira com ramificações no Brasil, Ucrânia e Japão. A dimensão do esquema chamou atenção das autoridades após a Justiça determinar o bloqueio de aproximadamente R$ 300 milhões em bens atribuídos ao grupo investigado. Entre os patrimônios atingidos estão imóveis de alto padrão, embarcações e outros ativos considerados incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos.
Durante a operação, policiais federais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares impostas pela Justiça contra os investigados. A ofensiva faz parte de um aprofundamento das apurações iniciadas ainda em maio de 2024, quando uma mulher acabou presa por posse ilegal de arma de fogo. O que inicialmente parecia uma ocorrência isolada acabou revelando, segundo os investigadores, uma estrutura muito maior e mais sofisticada.
Com o avanço das diligências, a PF afirma ter identificado indícios de crimes de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e atuação financeira irregular. De acordo com as investigações, parte dos bens estaria registrada em nome de terceiros, prática conhecida popularmente como “laranja”, utilizada para esconder patrimônio e dificultar o rastreamento de recursos pelas autoridades.
A presença de Macaé no centro da operação reforça o alcance nacional do esquema investigado. A cidade, conhecida pelo forte setor offshore e circulação de investimentos ligados ao petróleo, entrou na rota das diligências justamente pela suspeita de movimentações financeiras ligadas ao grupo criminoso.
Os investigadores também apuram como o dinheiro circulava entre os países envolvidos e se havia utilização de empresas de fachada para mascarar operações financeiras. A Polícia Federal acredita que o grupo utilizava uma estrutura complexa para atrair investidores com promessas de lucros elevados e rápidos, característica comum em esquemas de pirâmide financeira.
Os alvos da operação poderão responder por crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações continuam e novas fases da operação não estão descartadas.