Representantes da Marinha compartilharam orientações sobre segurança da navegação, regularização profissional e qualificação para trabalhadores da pescaFoto: Ronan Alexandre

Macaé - O mar sempre foi fonte de sustento para centenas de famílias de Macaé. Mas, em tempos de transformação econômica, sobreviver da pesca exige muito mais do que experiência nas águas. Informação, qualificação e segurança passaram a ser ferramentas tão importantes quanto as redes e embarcações. Foi exatamente esse novo olhar que marcou o encerramento da Feira da Economia do Mar, na última terça-feira (28), ao reunir pescadores, especialistas e representantes da Marinha em um debate voltado à valorização da atividade pesqueira e ao fortalecimento da chamada Economia Azul.
O último painel da programação colocou em evidência um tema que influencia diretamente a rotina de quem vive da pesca: navegar com segurança, trabalhar dentro da legalidade e ampliar as oportunidades de crescimento profissional. A apresentação foi conduzida pelo capitão-tenente Gabriel Rocha, integrante do Grupo de Vistoria e Inspeção da Capitania dos Portos de Macaé, e pelo suboficial Marcondes Serafino Ribeira Marçal, supervisor da Divisão de Segurança do Tráfego Aquaviário.
Durante o encontro, os representantes da Marinha esclareceram dúvidas sobre a Carteira de Inscrição e Registro (CIR), documento obrigatório para o exercício da atividade marítima, além da regularização das embarcações. A orientação reforçou que manter toda a documentação atualizada não representa apenas uma exigência legal, mas também uma importante garantia de segurança para os trabalhadores e para quem utiliza as embarcações.
A qualificação profissional também ocupou espaço de destaque. Os participantes conheceram os cursos oferecidos pela Marinha e as oportunidades disponibilizadas pelo Programa de Ensino Profissional Marítimo (PREPOM), iniciativa que amplia a formação técnica, possibilita especializações e abre novos caminhos para quem deseja crescer profissionalmente dentro do setor marítimo.
Outro momento importante abordou os cuidados indispensáveis antes de qualquer saída para o mar. Equipamentos de segurança, documentação regular, análise das condições meteorológicas e respeito às normas de navegação foram apresentados como fatores decisivos para reduzir acidentes e preservar vidas.
Mais do que compartilhar orientações técnicas, o painel reforçou que investir em conhecimento fortalece toda a cadeia produtiva da pesca. Profissionais mais preparados tornam a atividade mais segura, aumentam a produtividade e contribuem para o desenvolvimento sustentável de um segmento que faz parte da identidade econômica e cultural de Macaé.
A Feira da Economia do Mar integrou a programação oficial da Expo Macaé 2026, realizada em comemoração aos 213 anos de emancipação político-administrativa do município. Durante cinco dias, especialistas, pesquisadores, empresários, instituições públicas e representantes de diferentes setores discutiram inovação, sustentabilidade, economia, preservação ambiental e os desafios ligados ao uso inteligente dos recursos marinhos.
Além dos debates e painéis técnicos, o evento contou com estandes temáticos, exposição de projetos, demonstrações tecnológicas e atividades abertas ao público, consolidando-se como um espaço de integração entre ciência, setor produtivo e sociedade. Ao encerrar sua programação valorizando a pesca artesanal e a capacitação dos trabalhadores do mar, a feira reafirmou que o futuro da Economia Azul depende, acima de tudo, das pessoas que vivem diariamente dessa atividade.