Macaé vira palco de debate estratégico sobre segurança com grandes nomes do petróleoFoto: Ilustração

Macaé - Segurança não é apenas uma regra a cumprir. Para uma indústria que trabalha com operações complexas, grandes estruturas e riscos que exigem respostas rápidas, ela também representa uma decisão capaz de influenciar resultados, pessoas e o futuro dos negócios. É a partir dessa perspectiva que Macaé recebe o V Workshop de Segurança Operacional de Poços, o WSOP 2026, que começou na terça-feira (11) e encerra nesta quarta-feira (12), reunindo profissionais de diferentes segmentos da cadeia de óleo e gás.
Com o tema Segurança é Decisão de Negócio: Conectando Liderança, Pessoas e Operações Reais, o encontro propõe uma discussão que vai além dos procedimentos tradicionais. A ideia é aproximar as decisões tomadas pelas lideranças da realidade encontrada pelas equipes de campo e de bordo, valorizando a experiência de quem conhece, na prática, os desafios de uma operação.
O WSOP coloca em debate a distância entre o trabalho planejado e aquilo que realmente acontece durante uma atividade. Essa diferença pode revelar riscos, oportunidades de melhoria e soluções que surgem a partir da experiência dos próprios trabalhadores. Por isso, comunicação, confiança, liderança e cultura de segurança aparecem como elementos importantes para transformar normas em atitudes concretas.
A integração entre empresas também ocupa espaço central na programação. Operadoras, empresas de perfuração, prestadoras de serviços, companhias de tecnologia e organizações especializadas compartilham responsabilidades em operações que dependem de diferentes equipes e fornecedores. Nesse cenário, a segurança deixa de ser uma preocupação isolada e passa a exigir uma atuação conjunta.
Entre as empresas representadas no Comitê Técnico do WSOP 2026 estão Petrobras, Ocyan, Foresea, Seadrill, SLB, Valaris, Halliburton, Baker Hughes, Shell, Zyon Petroleum, Constellation, CAP Consultoria e JN Consultoria e Serviços de Engenharia. A composição reúne profissionais ligados à exploração e produção, perfuração, tecnologia, serviços especializados e engenharia.
O Comitê Executivo também reúne nomes de diferentes áreas da indústria e da pesquisa, com participação de representantes da UENF e TechnipFMC, Aquila Engineering, Ocyan, Baker Hughes, Petrobras e 4Subsea. A presença de instituições acadêmicas e empresas especializadas amplia o debate e aproxima conhecimento técnico, inovação e experiência operacional.
A Foresea participa do evento como patrocinadora e palestrante. A companhia também está representada no Comitê Técnico por profissionais ligados às discussões sobre segurança operacional e participa do esforço coletivo para aproximar estratégia empresarial e realidade das operações.
A tecnologia aparece como outro ponto de atenção do workshop. Inteligência artificial, automação e monitoramento em tempo real integram os debates, com foco na capacidade dessas ferramentas de apoiar decisões, identificar riscos com maior antecedência e aumentar a confiabilidade das atividades. Ao mesmo tempo, o evento preserva o papel dos fatores humanos e da experiência dos profissionais na tomada de decisões.
A programação inclui sessões técnicas, apresentações de casos reais e debates sobre governança de riscos, troca de informações, integração operacional e evolução do trabalho nas sondas de perfuração. Um dos destaques é a discussão sobre a qualidade da comunicação como base para a governança de riscos em ambientes industriais complexos, com participação da pesquisadora e diretora da Symballein, Carmen Migueles.
Outro momento aborda a nova fronteira da segurança operacional, com foco na integração entre inteligência artificial, automação e fatores humanos. O debate reúne profissionais ligados à tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação da indústria, incluindo representantes da Petrobras e da Halliburton.
A programação também chega a temas ligados à organização do trabalho nas sondas de perfuração, com participação de João Cabral, gerente de Engenharia de Sondagem Marítima da Petrobras, e Leonardo Paschoal Guimarães, diretor técnico da Constellation. A proposta é discutir como a indústria pode evoluir sem perder de vista as pessoas que estão na linha de frente das operações.
No encerramento, o WSOP reúne representantes da Petrobras e da Seadrill em uma reflexão sobre os principais aprendizados do encontro. O objetivo é fazer com que as discussões avancem para além do evento e possam contribuir para decisões mais consistentes dentro das empresas.
A escolha de Macaé como sede do workshop reforça o papel estratégico do município no setor de óleo e gás. Em uma cidade diretamente ligada às atividades offshore, discutir segurança significa também falar sobre pessoas, empregos, tecnologia, produtividade e responsabilidade em uma das cadeias produtivas mais importantes da economia regional.
Ao encerrar sua quinta edição nesta quarta-feira (12), o WSOP 2026 deixa uma mensagem que atravessa toda a programação: segurança não deve aparecer apenas depois que uma decisão é tomada. Ela precisa fazer parte da própria decisão, desde o planejamento até a execução, da liderança ao trabalhador que coloca a operação em prática.