Projeto Raia prevê ligação entre a produção na Bacia de Campos e o sistema nacional de transporte de gás por meio de CabiúnasFoto: Ilustração

Macaé - Macaé está prestes a assumir um novo capítulo na história do petróleo e do gás no Brasil. Com a chegada do Projeto Raia a Cabiúnas, o município terá participação direta em uma das maiores iniciativas de gás natural em desenvolvimento no país, com previsão de entrada em operação em 2028 e potencial para atender cerca de 15% da demanda nacional.
A dimensão do empreendimento ajuda a explicar a importância de Macaé nessa nova fase. O Projeto Raia prevê a produção de petróleo e gás na Bacia de Campos, com uma estrutura que levará o gás diretamente do sistema de produção offshore até a rede nacional de transporte, a partir de Cabiúnas.
O modelo adotado pela Equinor e seus parceiros traz uma inovação para o setor no Brasil. Pela primeira vez no país, o gás será especificado ainda no mar e seguirá diretamente para o sistema de transporte, sem a necessidade de uma planta de processamento instalada em terra.
No centro dessa operação estará um FPSO, unidade flutuante responsável pela produção, processamento, armazenamento e transferência de petróleo e gás natural. A estrutura terá capacidade para tratar o óleo e o condensado e preparar o gás para comercialização.
Depois de processado offshore, o gás seguirá por um gasoduto submarino de aproximadamente 200 quilômetros até Cabiúnas, em Macaé. É justamente nesse ponto que o município ganha relevância estratégica, ao receber a estrutura responsável pela conexão do empreendimento com a malha de transporte nacional.
A infraestrutura já avançou. Em setembro de 2025, foi concluída a instalação de um trecho de aproximadamente 15 quilômetros do gasoduto em águas rasas. A etapa representa uma parte importante da ligação entre o FPSO Raia e o sistema de transporte próximo a Cabiúnas.
Com investimento estimado em cerca de US$ 9 bilhões, o projeto também cria expectativas para a economia regional. A previsão é de aproximadamente 50 mil empregos diretos e indiretos ao longo do ciclo de vida do campo, além da movimentação de fornecedores, empresas de serviços, profissionais especializados e diferentes setores ligados à cadeia de óleo e gás.
Para Macaé, os efeitos podem ultrapassar os limites de Cabiúnas. A proximidade com a área de recebimento do gás coloca bairros como Lagomar entre os pontos que podem acompanhar mais de perto os reflexos da expansão das atividades econômicas e da infraestrutura associada ao empreendimento.
A chegada do Projeto Raia reforça ainda a transformação do perfil energético da região. Depois de décadas marcada pela produção de petróleo, a Bacia de Campos passa a ganhar nova força com investimentos voltados também ao gás natural, considerado estratégico para a segurança energética brasileira e para a ampliação da oferta nacional.
O empreendimento é operado pela Equinor, que detém 35% de participação, em parceria com a Repsol Sinopec, também com 35%, e a Petrobras, com 30%.
Mais do que receber uma estrutura de transporte, Macaé passa a ocupar uma posição relevante em uma operação que conecta a produção offshore ao mercado consumidor brasileiro. Cabiúnas, que há décadas integra a história energética do município, ganha novamente protagonismo e se prepara para receber uma nova frente de desenvolvimento da indústria de óleo e gás.
O Projeto Raia representa, assim, uma oportunidade para ampliar investimentos, gerar empregos, fortalecer a cadeia produtiva e consolidar Macaé como um dos principais pontos de conexão entre a riqueza produzida no mar e as necessidades energéticas do país.