Lançamento do Anuário do Petróleo no Rio reuniu representantes da indústria, especialistas e gestores públicos em MacaéFoto: Moisés Bruno H. Santos
Esse cenário está retratado na 11ª edição do Anuário do Petróleo no Rio, lançado nesta quinta-feira (3), na sede da Firjan em Macaé. A publicação reúne dados, análises e projeções sobre petróleo, gás natural e energia e apresenta um recorte específico do Norte Fluminense.
A Bacia de Campos também mantém trajetória de recuperação. A produção chegou a 741 mil barris por dia em 2025, alta de 9% em relação a 2024. Nos primeiros sete meses de 2026, a média diária ficou 11% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.
Mais de 75% do petróleo produzido na Bacia de Campos em 2025 teve origem no Estado do Rio. Na região Norte Fluminense, a produção avançou 4% no mesmo período e os primeiros meses de 2026 mantiveram o ritmo de crescimento, com média diária 5% superior à registrada em 2025.
Para Macaé, os efeitos aparecem também nas perspectivas de produção e de novos negócios. Durante o lançamento do anuário, o prefeito Welberth Rezende afirmou que a produção local deve chegar a 400 mil barris neste ano. Segundo ele, a Petrobras projeta alcançar a marca de um milhão de barris nos próximos cinco anos, sem considerar a produção dos operadores independentes.
O prefeito também citou dois projetos considerados estratégicos para a economia local. O Raia, com investimento estimado em US$ 9 bilhões, e o Programa de Revitalização e Incentivo à Produção de Campos Marítimos, o Promar, que prevê cerca de US$ 20 bilhões em investimentos na revitalização de campos maduros.
A força da indústria também aparece nas contas públicas. A previsão orçamentária de Macaé para este ano chega a R$ 5,1 bilhões, segundo dados apresentados durante o evento. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Silvio Mussi Lopes, destacou que aproximadamente 70% da receita municipal é formada por impostos e taxas, enquanto cerca de 30% corresponde aos royalties.
O desafio, no entanto, está justamente em transformar esse ciclo de expansão em desenvolvimento duradouro.
A administração municipal apresentou durante o encontro projetos voltados à diversificação econômica, com investimentos previstos ou em discussão para setores como turismo, agropecuária, ensino superior, formação técnica, energia e infraestrutura. Entre as iniciativas estão a ampliação dos voos do aeroporto, novos investimentos em termelétricas, fortalecimento da produção agropecuária, expansão do turismo e a possibilidade de instalação de uma fábrica de fertilizantes.
A estratégia acompanha uma mudança no perfil econômico da cidade. Além da posição consolidada na indústria de óleo e gás, Macaé ampliou sua atuação na produção de grãos, na criação de gado confinado e no turismo. A expansão da Cidade Universitária e dos investimentos em ensino técnico também aparece entre as medidas para preparar mão de obra para os setores que devem crescer.
O mercado de trabalho é outro ponto de atenção. Welberth Rezende destacou que Macaé foi o município que mais criou empregos no Brasil no ano passado, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged. Para o secretário Silvio Mussi Lopes, o desafio agora é fazer com que os moradores da cidade estejam preparados para ocupar as vagas que surgem com a expansão da indústria.
A discussão também envolve o futuro energético da região. Durante o painel realizado no evento, o secretário executivo de Políticas Energéticas de Macaé, Rodrigo Vianna, defendeu a ampliação da produção da Bacia de Campos e a criação de um ambiente capaz de atrair novos investimentos.
O analista de pesquisa energética da Empresa de Pesquisa Energética, Carlos Augusto Pacheco, destacou que o Norte Fluminense ocupa posição estratégica na geopolítica energética brasileira. Para ele, o avanço do petróleo e do gás pode coexistir com novas fontes de energia e contribuir para financiar a transição energética.
A gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, também apontou essa possibilidade ao defender uma visão mais ampla para Macaé. Na avaliação dela, a cidade pode deixar de ser conhecida apenas como um polo de petróleo e assumir uma posição de integração entre diferentes matrizes energéticas.
Enquanto a produção cresce e novos investimentos chegam, outro indicador mostra o peso desse ciclo para o Estado. Em 2025, a indústria gerou R$ 30,2 bilhões em royalties e R$ 14,7 bilhões em participações especiais para o Rio de Janeiro e seus municípios.
No Norte Fluminense, royalties e participações especiais chegaram perto de R$ 3 bilhões no ano passado, mesmo com a redução do preço médio do petróleo. Até junho de 2026, os municípios da região já haviam arrecadado o equivalente a 56% do total registrado em todo o ano anterior.
O cenário combina dois movimentos que podem definir o futuro econômico de Macaé: a retomada da Bacia de Campos e a tentativa de aproveitar esse novo ciclo para construir alternativas além do petróleo.
O anuário lançado em Macaé funciona, assim, como um retrato de uma indústria que ainda tem espaço para crescer e, ao mesmo tempo, como um alerta sobre a necessidade de planejamento. Para a cidade que cresceu junto com a Petrobras, o próximo desafio não é apenas produzir mais, mas decidir o que fazer com a riqueza gerada por essa nova fase.




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