Mandarim sendo ensinado em escola municipal de ItaipuaçuFoto: Katito Carvalho

Maricá - A Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Educação, começou a colocar em prática, no ano letivo de 2026, uma experiência ainda rara na educação pública brasileira: a inclusão do mandarim na grade curricular regular da rede municipal. O idioma, que antes era oferecido como atividade extracurricular, passou a integrar oficialmente a matriz de ensino dentro do modelo de escola trilíngue implantado no CEPT Leonel de Moura Brizola, em Itaipuaçu.
O estudante Pedro Henrique Cardoso, de 14 anos, já tem um plano traçado: quer conhecer a China. Aluno do ensino fundamental da rede municipal de Maricá, ele começou a estudar Mandarim em 2023 e, desde então, viu o interesse virar parte do dia a dia - dentro e fora da sala de aula. Hoje, além das aulas, participa de um grupo de dança tradicional chinesa com colegas.
“Aprender uma nova Língua abre muitas portas, como viagens, empregos e bolsas de estudo. Além disso, as danças chinesas são terapêuticas e me ajudam a ficar mais calmo no dia a dia”, conta o adolescente.
Histórias como a de Pedro ajudam a explicar uma aposta pouco comum na rede pública brasileira: desde o ano letivo de 2026, o Mandarim passou a fazer parte da grade curricular regular em Maricá. Antes oferecido apenas como atividade extracurricular, o idioma agora integra oficialmente o modelo de escola trilíngue implantado no Campus de Educação Pública Transformadora (CEPT) Leonel de Moura Brizola, em Itaipuaçu.
O projeto começou a sair do papel em setembro de 2025, quando a prefeitura lançou um piloto reunindo Português, Inglês e Mandarim na rotina dos alunos. Desde então, além do idioma, os estudantes passaram a ter contato com elementos da cultura chinesa, como caligrafia e dança, dentro de atividades ligadas ao projeto Interfronteiras.
Para muitos, o impacto já chega aos planos de futuro. A estudante Michele Ferreira de Mendonça, de 13 anos, também do ensino fundamental II, já pensa em seguir carreira em Relações Internacionais. “Quero experimentar a comida de lá e viver de perto essa cultura que admiro tanto. O Mandarim me inspira até a pensar no futuro e acredito que a língua vai abrir muitas portas culturais e profissionais”, diz.
Aprovação em exame internacional
Os primeiros resultados começaram a aparecer ainda em 2025. No fim do ano, 47 estudantes da rede municipal fizeram o exame internacional de proficiência em Mandarim HSK 1 - cerca de 80% foram aprovados. A prova foi aplicada presencialmente por avaliadores externos do Instituto Confúcio da PUC-Rio. O HSK é uma certificação internacional de língua chinesa, e o nível 1 mede conhecimentos básicos de leitura e compreensão auditiva.
Além dos alunos do CEPT, servidores da rede municipal em formação no Liceu Municipal de Línguas também participaram da avaliação. Para a Secretaria de Educação, o desempenho indica que o projeto começa a se consolidar com a entrada oficial do Mandarim no currículo.
“O Programa Educação Trilíngue promove o aprendizado desses idiomas por meio de metodologia inovadora baseada em tecnologias educacionais, alinhada à linguagem digital contemporânea e ao uso social responsável. A iniciativa amplia horizontes por meio do estímulo a processos criativos e da formação cidadã em um contexto globalizado”, afirmou o secretário de Educação, professor Rodrigo Moura.
Expansão para toda a rede
A proposta agora é ampliar o modelo para outras escolas da rede nos próximos anos, levando o ensino de Mandarim e Inglês para mais unidades. A experiência de Itaipuaçu deve servir como base para uma política de internacionalização do ensino no município.
O projeto integra o Programa Municipal de Educação em Tempo Integral (Prometi) e se conecta ao Maricá Interfronteiras, iniciativa voltada ao ensino de línguas, intercâmbios culturais e ampliação do repertório internacional dos alunos.
Atualmente, a cidade conta com 10 escolas bilíngues, com oferta de idiomas como Francês, Espanhol, Alemão, Inglês e Mandarim, em parceria com instituições e escolas de países como México, Escócia, Chile e Austrália.
Além das aulas, a estratégia inclui a formação de professores e a aproximação com a cultura chinesa. Em 2025, um grupo de educadores e gestores passou quase um mês em formação na China, e a rede também passou a contar com professores nativos no corpo técnico.