União de Maricá transforma enredo sobre Darcy Ribeiro em ponte com aldeias e lideranças do XinguDivulgação
A aproximação ganhou força nas últimas semanas. A agremiação passou a estreitar laços com aldeias, lideranças e instituições ligadas à preservação da memória indígena, numa iniciativa que busca garantir que a homenagem a Darcy Ribeiro seja construída a partir do diálogo, do respeito e da escuta.
Em Maricá, a escola encontrou uma história que simboliza essa ligação. Na Aldeia Mata Verde Bonita, a liderança indígena Tupã Darcy carrega no próprio nome uma homenagem ao intelectual brasileiro. O nome foi escolhido por sua mãe, a Pajé Lídia, que conheceu Darcy Ribeiro e prometeu que daria seu nome ao filho como forma de agradecer pela dedicação à causa indígena.
"Para mim, Darcy simboliza uma grande referência. Eu o considero um grande pajé, um grande cacique que passou por este território. Acredito que o fato de estarmos aqui hoje faz parte de uma semente plantada há muito tempo. Algumas sementes levam décadas para florescer, ficam adormecidas na terra esperando o momento certo. E eu acredito que agora chegou o tempo de essa semente florescer", afirma Tupã Darcy.
A construção do enredo também já ultrapassou os limites de Maricá. Nesta semana, o barracão da escola recebeu a visita do cineasta indígena Piratá Waurá, liderança do Xingu. Depois de conhecer o projeto desenvolvido para o Carnaval 2027, ele destacou a importância de ver a história de Darcy Ribeiro sendo contada por uma escola que buscou primeiro ouvir os povos indígenas.
"Darcy Ribeiro caminhou ao lado dos nossos povos quando muitos ainda não queriam nos ouvir. Ele ajudou a preservar nossa cultura, nossa memória e nossos territórios. Saber que uma escola de samba está construindo esse enredo ouvindo as lideranças indígenas nos mostra que essa homenagem nasce do respeito. O Carnaval alcança milhões de pessoas e pode ajudar o Brasil a conhecer melhor a nossa história", disse.
O próximo passo da escola será uma imersão da equipe da União de Maricá na região do Xingu. A visita permitirá que integrantes da escola aprofundem o contato com as comunidades locais antes da conclusão do desenvolvimento artístico do desfile.
"Desde o primeiro dia entendemos que não poderíamos falar sobre Darcy Ribeiro sem ouvir aqueles que fizeram parte da sua caminhada. O nosso compromisso é construir um desfile que represente essa história com verdade, respeito e responsabilidade. Receber o apoio das lideranças indígenas nos dá a certeza de que estamos seguindo o caminho correto e aumenta ainda mais a responsabilidade de transformar esse legado em Carnaval”, ressaltou Edson.

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