Presidente dos EUA, Joe Biden
Presidente dos EUA, Joe BidenAFP
Por AFP
Boulder - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu nesta terça-feira (23) a proibição de fuzis e solicitou ao Congresso que regule a posse de armas após um tiroteio em Boulder, no estado do Colorado, o segundo massacre do gênero em menos de uma semana.
Biden fez um discurso solene depois que o país ficou chocado com o massacre que matou dez pessoas, alimentando o debate sobre um maior controle da posse de armas.
Publicidade
Da Casa Branca, o presidente pediu a proibição de fuzis e carregadores de alta capacidade e pediu ao Congresso que legislasse neste sentido. “Esta não deve ser uma questão partidária. É uma questão americana. Isso salvaria vidas”, disse ele.
O autor indicado no tiroteio no supermercado - que está hospitalizado - foi identificado como Ahmad Alissa.
Publicidade
Sua condição é "estável" e ele deve ser transferido para a prisão em pouco tempo, disse a chefe de polícia de Boulder, Maris Herold, em entrevista coletiva.
"Ele é acusado de 10 acusações de homicídio em primeiro grau e em breve será transferido para a prisão do condado de Boulder", disse ela.
Publicidade
Sua motivação ainda é desconhecida, segundo autoridades. Todas as vítimas foram identificadas e tinham idades entre 20 e 65 anos, disse a mesma fonte. Um policial que morreu era pai de sete filhos, disse Herold.
Após conhecer as identidades, o governador do Colorado, Jared Polis, expressou a comoção da comunidade com este tiroteio.
Publicidade
"O condado de Boulder é uma comunidade pequena. Estávamos todos olhando a lista. Conhecem alguém?", disse Polis aos repórteres. "Nenhum deles esperava que fosse seu último dia na terra", acrescentou.
"Agir agora" 
O ataque ocorreu menos de uma semana depois que um agressor armado, também de 21 anos, matou oito pessoas a tiros em várias casas de massagem asiáticas em Atlanta, Geórgia.
Publicidade
Esses dois massacres tão próximos, após um período de relativa calma durante a pandemia, mais uma vez trouxeram à tona o debate sobre o endurecimento das leis sobre posse de armas.
Nas pesquisas, a maioria dos americanos é a favor de mais regulamentação, uma posição que a Casa Branca também apoia, mas os republicanos se opõem obstinadamente, pois argumentam que legislar a esse respeito vai contra a Segunda Emenda da Constituição.
Publicidade
Em audiência no Comitê Judiciário do Senado - que já estava marcada - a divisão partidária mais uma vez azedou o debate.
"Há muitas famílias em muitos lugares que são forçadas a suportar essa dor e angústia inimagináveis", disse o líder da Câmara dos Representantes em um comunicado.
Publicidade
“É necessário agir agora para evitar que este flagelo continue a pesar sobre nossas comunidades”, acrescentou.
No entanto, é improvável que a legislação regulatória seja aprovada no Senado, onde são necessários pelo menos nove votos republicanos.
Publicidade
"Nenhum lugar seguro"
A cidade de Boulder - de cerca de 110.000 habitantes localizada 50 quilômetros a noroeste de Denver, capital do Colorado - impôs uma proibição aos fuzis após o massacre de Parkland na Flórida em 2018.
Mas na semana passada, um juiz bloqueou esse veto, relatou o The Denver Post, uma decisão que foi celebrada pela National Rifle Association (NRA), um poderoso grupo de lobby pró-armas.
Publicidade
Após o tiroteio, a NRA tuitou uma cópia da Segunda Emenda à Constituição, que garante o direito à posse de armas.
Segundo a mídia norte-americana, o homem estava armado com um fuzil AR-15, arma muito usada nesse tipo de homicídio, tipo de incidente recorrente nos Estados Unidos.
Publicidade
Testemunhas disseram ter ouvido vários ruídos do lado de fora do supermercado, onde ocorreu o tiroteio.
"Eles quase me mataram porqu eue fui comprar um refrigerante com um pacote de batatas fritas", disse Ryan Borowski à CNN. "Agora sinto que não há lugar seguro", acrescentou.
Publicidade
Colorado sofreu dois massacres com armas de fogo que marcaram a história do país, o tiroteio em Columbine High School em 1999 e o cinema Aurora em 2012.
Ambos chocaram os Estados Unidos, sem que houvesse uma mudança na legislação sobre porte de armas.
Publicidade