EUA e Irã retomaram hostilidades na última quinta-feira (25)Arquivo/AFP
Nos últimos dias, as duas partes trocaram acusações sobre violações do cessar-fogo, o que aumentou a tensão após a assinatura do memorando em 17 de junho.
"As conversações técnicas estão programadas para continuar sobre todas as áreas do memorando de entendimento", informou a fonte do governo americano à reportagem em um e-mail. "As partes vão recuar no momento e os navios poderão transitar livremente" pelo Estreito de Ormuz, acrescentou.
A fonte não confirmou, no entanto, as informações da imprensa dos Estados Unidos sobre uma reunião entre iranianos e americanos no Catar, na terça-feira (30), para discutir a questão do Estreito de Ormuz.
O estreito foi reaberto na semana passada, depois de permanecer fechado pelo Irã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, com os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel, o que afetou o comércio global de hidrocarbonetos e provocou a disparada dos preços do petróleo.
Possível reunião no Catar
O Irã não gostou do anúncio de Omã de uma rota próxima à sua costa, apresentada como uma iniciativa coordenada com uma agência da ONU responsável pela segurança marítima. Dezenas de embarcações utilizaram a rota durante a semana passada.
Teerã permitiu a passagem por um único corredor próximo à sua costa, mas ameaçou atacar qualquer navio que viole suas condições.
Desde a última quinta-feira (25), dois navios foram atingidos por projéteis de origem desconhecida nesta passagem marítima, incidentes que o governo dos Estados Unidos atribuiu ao Irã e ao qual respondeu com bombardeios contra a República Islâmica.
Na madrugada deste domingo (28), a Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, anunciou o lançamento de mísseis e drones em direção ao Kuwait e ao Bahrein.
Citando dois funcionários do governo de Washington e uma terceira fonte que acompanha a questão, o portal de notícias americano Axios informou que negociações acontecerão na terça-feira em Doha para solucionar as disputas sobre Ormuz, por onde, em um período normal, trafega quase 20% da produção global de hidrocarbonetos.
Ataques israelenses no Líbano
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram em comunicado que o Exército israelense destruiu um longo túnel construído pelo movimento pró-Irã Hezbollah no sul do Líbano.
"O túnel, com mais de 200 metros de comprimento e mais de 25 metros de profundidade, continha centenas de armas, assim como vários poços de lançamento destinados a atacar o Estado de Israel e seus civis", afirma o comunicado.
O Ministério da Saúde do Líbano informou que duas pessoas ficaram feridas depois que "o inimigo israelense" lançou uma granada em uma localidade no sul do país. O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, afirmou no domingo que o acordo assinado com Israel "não será adotado", por considerar que não garante os direitos de seu país.
O Hezbollah declarou nesta segunda-feira, em um comunicado, que se reservava o direito à autodefesa após os ataques israelenses no sul do Líbano.
O acordo condiciona a retirada de Israel das terras libanesas ocupadas ao desarmamento, por parte de Beirute, do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. Uma exigência antiga que o governo libanês não conseguiu implementar.
O Líbano foi arrastado para o conflito no início de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã, após o início da guerra contra Teerã. O Irã insistiu em incluir o conflito no Líbano no memorando de entendimento com os Estados Unidos.

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