
"O mundo enfrentará sem dúvida uma falta de preservativos", disse o diretor-executivo da Karex, Goh Miah Kiat, à AFP. "É um motivo de preocupação grande pois as camisinhas são um item sanitário de primeira necessidade".
A Agência das Nações Unidas para a Saúde Sexual e Reprodutiva (UNFPA, na sigla em inglês) adverte que só poderá atender de 50% a 60% dos pedidos de fornecimento de preservativos que habitualmente recebe.
"O fechamento de fronteiras e as demais medidas de restrição prejudicam o transporte (de mercadorias) em vários países e regiões. Uma falta generalizada de preservativos ou qualquer outro meio contraceptivo pode gerar um aumento de gestações indesejadas com consequências desastrosas para a saúde e o bem-estar de adolescentes, mulheres, seus parceiros e famílias", indicou um porta-voz da UNFPA.
A agência também teme um aumento no número de abortos clandestinos e de contágios por doenças sexualmente transmissíveis, em especial a Aids.
De acordo com a Karex, a demanda por preservativos aumentou desde o início das políticas de confinamento. A imprensa indiana reportou um aumento de 30% na venda de camisinhas desde que o país impôs uma quarentena nacional aos 1,3 bilhão de habitantes.
A saída para a possível crise pode vir da China, onde o novo coronavírus surgiu. Os principais produtores de preservativos no país retomaram as atividades depois que as medidas restritivas foram aliviadas após a disseminação do vírus ter sido praticamente contida no país.
A HBM Protections, que fabrica mais de 1 bilhão de camisinhas por ano, anunciou que o ritmo normal da produção deve ser retomado em breve e espera sua triplicar sua capacidade até o fim do ano. O grupo Shanghai Mingbang Rubber Products, por sua vez, se disse disposto a aumentar suas exportações caso haja um esvaziamento dos estoques ao redor do mundo.
"Se os mercados internacionais sofrerem problemas, estamos de acordo quanto a exportar mais (preservativos)" disse à AFP o dirigente do grupo chinês Cai Qijie.