O relato da tristeza no Equador com a covid

Morando no país, a técnica Emily Lima evita assistir à TV e conta que a rotina mudou totalmente com a pandemia

Por ANA CARLA GOMES

Ex-técnica da seleção feminina do Brasil, Emily Lima comanda atualmente a equipe do Equador
Ex-técnica da seleção feminina do Brasil, Emily Lima comanda atualmente a equipe do Equador -

O dia a dia no campo, que sempre foi o ambiente de trabalho de Emily Lima, ficou inviável. Mas a atual técnica da seleção feminina de futebol do Equador tem tentado ocupar seu tempo monitorando as jogadoras em reuniões por Skype junto com a sua comissão técnica. No povoado de Cumbayá, em Quito, a 400km de Guayaquil, ela conta como está a situação no país, de onde chegam notícias assustadoras sobre os colapsos de saúde e funerário em Guayaquil, o epicentro da pandemia do novo coronavírus no Equador. Mortes em casa e corpos na calçada foram algumas das imagens da cidade que percorreram o mundo.

"A situação está complicada em Guayaquil. O governo vem tentando normalizar o quadro, mas são muitos casos e acaba saindo do controle de saúde de funerário. Por isso, passam essas imagens ruins e tristes da cidade de Guayaquil. Mas nas outras cidades a pandemia está sob controle. Eles agora estão tomando um cuidado maior com Guayaquil", relata Emily, que tem em seu currículo o status de ter sido a primeira mulher a comandar a seleção brasileira feminina de futebol.

As notícias, ela conta, são realmente impactantes. "Tento não assistir muito aos programas de TV, não ver muito os noticiários porque são coisas tristes. O que resta a gente fazer é orar e pedir para que as coisas melhorem o quanto antes. O que a gente consegue ver é que o governo está trabalhando para que as coisas melhorem", diz, comentando a realidade de Guayaquil: "Os equatorianos estão respeitando as medidas a serem tomadas. O assustador é porque em Guayaquil aconteceu tudo isso. E eu, pelo que vejo na televisão, identifico que as pessoas parecem que não estão respeitando muito as medidas, andam na rua como se nada estivesse acontecendo".

Pelo pouco que assiste ao noticiário, Emily destaca a mobilização das personalidades equatorianas: "A imprensa está cobrindo tudo o que vem acontecendo e se mobilizando também. Na TV, a gente tem muitas mensagens positivas, figuras importantes, do esporte, artistas. Isso eu acho importante neste momento".

Emily também fala sobre a necessidade de os equatorianos mais humildes saírem de casa para trabalhar: "Isso acontece em todas as partes do mundo onde as pessoas não têm as condições adequadas para se cuidar e não podem ficar nem um dia sequer sem trabalhar. Mas o governo vem dando cestas básicas, ajudando financeiramente. Mesmo assim, muita gente ainda sai à rua para trabalhar e buscar o pão de cada dia. O preparo da rede de saúde não é ruim, mas a covid pegou todo mundo de surpresa. São muitos casos, todos os dias, em todas as partes do mundo. Por isso, em Guayaquil, as pessoas estão sofrendo para conseguir atendimento e o serviço funerário enfrenta dificuldades para atender a todas as famílias".

A treinadora chegou ao Equador há quatro meses com o desafio de levar a seleção do país ao Mundial de 2023. Mas viu sua rotina mudar completamente por conta da pandemia. Além das tarefas de casa, leituras, filmes e 'lives', ela mantém contato permanente com a comissão técnica: "Venho ocupando meu tempo trabalhando daqui de casa pelo computador. Eu e toda a comissão técnica nos falamos pelo grupo do Whatsapp quase todos os dias e todas as sextas-feiras à tarde ficamos discutindo e assistindo a jogos pelo Skype. Aí ficamos uma, duas horas, conversando sobre planejamento e atletas".

 

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