Coronavírus e protestos mostram desigualdade racial endêmica nos EUA, diz ONU

Em referência ao Brasil, Bachelet disse que no Estado de São Paulo os negros têm probabilidade 62% maior de morrer de covid-19 do que uma pessoa branca

Por ESTADÃO CONTEÚDO , Estadão Conteúdo

Dois homens levantam os punhos, em 1º de junho de 2020, no centro de Las Vegas, enquanto participam de um comício de
Dois homens levantam os punhos, em 1º de junho de 2020, no centro de Las Vegas, enquanto participam de um comício de "vidas negras importam" em resposta à recente morte de George Floyd -
A pandemia do novo coronavírus tem um 'impacto devastador' nas populações negras e minorias no Brasil, no Reino Unido, na França e nos Estados Unidos, afirmou a alta comissária da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

Em comunicado publicado nesta terça, 2, a ex-presidente do Chile afirmou que os protestos desencadeados nos EUA pela morte de George Floyd são reflexo da violência policial contra pessoas negras e que os efeitos da pandemia realçam as desigualdades históricas no acesso à saúde, educação e emprego.

"Este vírus está expondo desigualdades endêmicas que há muito tempo são ignoradas. Nos Estados Unidos, os protestos desencadeados pelo assassinato de George Floyd estão destacando não apenas a violência policial contra pessoas de cor, mas também as desigualdades em saúde, educação, emprego e discriminação racial endêmica", disse Bachelet.

Em referência ao Brasil, Bachelet disse que no Estado de São Paulo os negros têm probabilidade 62% maior de morrer de covid-19 do que uma pessoa branca. "Se discute muito o impacto da covid-19 nas minorias raciais e étnicas, mas não está claro o que tem sido feito para resolver", criticou.

A alta comissária afirmou ainda que essas minorias estão em sua maior parte ocupando cargos de alto risco no período da pandemia, sendo obrigadas a usar o transporte público, trabalhar em hospitais e em atividades de limpeza.

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