Confinamento evitou 3,1 milhões de mortes em 11 países europeus, segundo estudo

Publicado na revista Nature, estudo também estima que essas medidas reduziram a taxa de reprodução do vírus em uma média de 82%, ou seja, o número de pessoas infectadas por cada contagiado

Por AFP

Itália foi um dos epicentros na Europa, continente com o maior número de mortes por covid-19
Itália foi um dos epicentros na Europa, continente com o maior número de mortes por covid-19 -
As medidas de confinamento aplicadas para lidar com a COVID-19 ajudaram a controlar a pandemia e evitaram 3,1 milhões de mortes em 11 países europeus, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira.

Realizado pelo Imperial College London, cujos cientistas aconselham o governo britânico sobre a crise da saúde, este estudo analisa as principais medidas adotadas em 11 países, incluindo Espanha, França, Itália e Grã-Bretanha, como proibição de atos públicos, restrição deslocamentos e fechamento de lojas e escolas.

"Medir a eficácia dessas medidas é importante, dado seu impacto econômico e social", afirmam seus autores.

Os pesquisadores compararam o número de mortes no banco de dados do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças com o número de mortes que teriam ocorrido sem as medidas de confinamento, estimadas usando modelos matemáticos.

Eles concluíram que isso permitiu evitar cerca de 3,1 milhões de mortes nesses países.

O artigo deles, publicado na revista Nature, também estima que essas medidas reduzam a taxa de reprodução do vírus em uma média de 82%, ou seja, o número de pessoas infectadas por cada pessoa contagiada. Assim, essa taxa ficou abaixo de 1, permitindo diminuir o número de novos casos.

Os pesquisadores também calculam que, em 4 de maio, entre 12 e 15 milhões de pessoas haviam sido infectadas com a COVID-19, ou seja, entre 3,2% e 4% da população, com disparidades entre os países.

A Bélgica registrou a taxa mais alta, de 8% da população, seguida por Espanha (5,5%), Reino Unido (5,1%) e Itália (4,6%).

Por outro lado, apenas 710.000 alemães teriam contraído o vírus, ou seja, 0,85% do país. Os autores do estudo concluíram que "o confinamento teve um efeito substancial" no controle da epidemia e que "medidas para manter a transmissão do SARS-CoV-2 sob controle devem ser consideradas".

Ao mesmo tempo, enfatizam que seu trabalho tem pelo menos um limite, por partir da hipótese de que as medidas tiveram o mesmo efeito em todos os países, quando, na realidade, "a eficácia do confinamento variou por país".

Os 11 países estudados são Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Noruega, Reino Unido, Suécia e Suíça.

Outro estudo da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, também publicado nesta segunda-feira na Nature, estimou, por sua vez, em 530 milhões o número de contágios evitados em seis países (China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Irã e Itália), graças às medidas aplicadas até 6 de abril.

Os autores comparam a taxa de crescimento diário do número de novos casos antes e depois dessas medidas e concluem que estes "desaceleraram consideravelmente" sua evolução, com "benefícios visíveis à saúde na maioria dos casos".

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