Evento visava conscientizar os frequentadores sobre a importância da saúde mental, de promover a valorização da vidaDivulgação
A ação, sugerida pela gestora do restaurante, a nutricionista Deborah Freire, foi realizada pela Secretaria de Desenvolvimento Social em conjunto com o CREAS. Ela visava conscientizar os frequentadores sobre a importância da saúde mental, de promover a valorização da vida e aproximar a população dos serviços de apoio psicológico e social do município.
Quebrar tabus
Deborah Freire contou que, diariamente, eles ouvem ali histórias de pessoas que não têm dinheiro para comprar comida ou que vivem sozinhas. “Já presenciei pessoas chorando, desabafando. Eles descobrem na nossa equipe alguém disposto a ouvi-las. Uma das coisas mais bonitas que observo é ver pessoas que chegam sozinhas fazendo amizades aqui dentro”, salientou.
Momento humano
Nas palavras de Deborah, muitas chegam sozinhas, mas já não saem sozinhas. “Para algumas delas, talvez seja o único momento do dia em que conseguem sentar à mesa, conversar com alguém e compartilhar suas histórias. Acredito que nosso papel vai além de garantir uma alimentação adequada, também podemos contribuir para que esse momento seja mais humano e acolhedor”, salientou.
Participaram da ação cerca de 80 pessoas e, durante a atividade, houve atendimentos individuais e momentos de escuta qualificada por parte da assistente social e da psicóloga. Dez frequentadores do restaurante demonstraram necessidades e questões emocionais que necessitavam de acolhimento.
CREAS e Posto de Saúde
De acordo com a psicóloga do CREAS, Natália Lima, o atendimento será conjunto. “ O CREAS cuidará da parte social e o psicólogo do posto de saúde fará o acompanhamento especializado na saúde mental. Nesse primeiro contato, observamos conflitos familiares, perdas, abusos e fragilização de vínculos familiares”, enumerou.
A assistente social do CREAS, Andressa Machado, disse que alguns dos usuários, em sua maioria idosos, apresentavam certa vulnerabilidade emocional. “Como eles vêm ao restaurante diariamente, estabelecem vínculos entre eles e também com a equipe do restaurante. Eles formaram um tipo de comunidade e isso fortalece seus relacionamentos”, ressaltou.
Aproximadamente 60% dos frequentadores do Restaurante do Povo são idosos com 60 anos ou mais, 20% são pessoas em situação de rua e os outros 20% são usuários diversos. De acordo com os dados do Censo Demográfico do IBGE, os idosos representam 20,13% da população total do município. O que significa que a cidade tem o maior percentual de pessoas com 60 mais da Baixada.

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