Niterói: Casa do Artesão desenvolve ações universalizantes e projetos culturais dirigidos ao conjunto da sociedadeDivulgação
Nesse contexto, a Secretaria Municipal das Culturas de Niterói, por meio da Casa do Artesão, tem papel fundamental no fortalecimento dessa rede. Além de apoiar a produção artesanal, o trabalho da Casa do Artesão garante visibilidade e oportunidades para que artistas da cidade ocupem os espaços públicos, apresentando e comercializando suas criações e ampliando o acesso da população à cultura.
As feiras de artesanato são uma tradição de Niterói e se consolidaram como um verdadeiro patrimônio cultural da cidade. Realizadas em diferentes bairros, elas integram o calendário cultural municipal e se tornaram pontos de encontro entre artistas, artesãos, moradores e visitantes. Mais do que espaços de comercialização, as feiras fortalecem a economia da cultura ao impulsionar o empreendedorismo criativo, estimular pequenos negócios baseados no saber fazer artesanal e gerar trabalho e renda para dezenas de famílias.
Arte que atravessa gerações
Além de valorizar a memória e a identidade cultural da cidade, o artesanato preserva saberes populares transmitidos entre gerações e mantém vivos modos de criação que atravessam o tempo.
Entre os artistas que mantêm viva essa tradição na cidade está Irineu Mayerhofer, de 80 anos, artista plástico que há 54 anos expõe suas obras na feira do Campo de São Bento, um dos espaços mais tradicionais de arte e artesanato de Niterói. Autodidata, ele conta que a criação artística faz parte de sua vida desde a infância.
Para Irineu, o fazer artístico nasce da experimentação, da tentativa e da persistência. “Artesanato é quebrar a cara, machucar o dedo, não dar certo, jogar fora e tentar de novo. Esse é o artesão”, diz, ao explicar o processo de aprendizado de quem cria com as próprias mãos.
Ao longo das décadas, já trabalhou com diferentes linguagens artísticas, incluindo pintura a óleo sobre tela e esculturas, às quais se dedicou em diferentes momentos da trajetória. Atualmente, concentra sua produção na criação de miniaturas inspiradas em porcelanas antigas, muitas vezes transformando objetos simples em peças delicadas.
Com mais de meio século de presença nas feiras da cidade, ele também destaca a importância desses espaços para a vida cultural local. “As feiras são muito importantes para os artistas”, afirma. “Tenho que agradecer a Deus pelo talento que ele me deu.”
Tradição que se costura no tempo
Outra presença marcante nas feiras da cidade é Lucidéa França Santos, mais conhecida como Dona Déa, de 84 anos, que há cerca de 45 anos trabalha com produção artesanal e expõe suas peças na feira do Campo de São Bento, uma das pioneiras no local. Especializada em costura criativa voltada para o universo infantil, ela se dedica à confecção de itens para bebês, mantendo uma produção autoral construída ao longo de décadas. Sua trajetória começou a partir do aprendizado com a mãe, em uma tradição artística familiar.
Ao longo do tempo, acompanhou as transformações do setor e as dificuldades enfrentadas pela produção artesanal diante da concorrência industrial, mas nunca deixou de criar. Para Dona Déa, a feira vai além do trabalho: é também um espaço de realização pessoal. Ela conta que se sente alegre, satisfeita e realizada com o que faz, e que gosta de estar presente expondo suas peças e convivendo com o público.
Sua presença nas feiras revela não apenas a permanência de um saber, mas também o valor afetivo e simbólico do fazer artístico, que conecta histórias de vida, autonomia e pertencimento à cidade.
Sabores artesanais também marcam a Páscoa
Com a proximidade da Páscoa, o artesanato também ganha novos sabores e oportunidades de empreendedorismo nas feiras da cidade. Entre as artistas que transformam criatividade em renda está a confeiteira Carolina Melo Costa, de 28 anos, fundadora da marca Carolmelados.
Presente em feiras e pontos de circulação em bairros como Icaraí e São Francisco, ela prepara uma campanha especial com ovos de colher, ovos trufados, ovo cookie e biscoitos amanteigados, além de brownies, alfajores, tortas e outras produções artesanais que fazem parte do seu cardápio.
Carolina começou a vender doces ainda adolescente e, após uma pausa para os estudos, retomou a produção até chegar às feiras da cidade: “Trabalhar com a confeitaria é estar presente nas comemorações, nas conquistas e até nos momentos difíceis. É lidar com os sonhos dos clientes. É gratificante saber que eles confiam em mim nesses momentos”, afirma.
Políticas públicas de valorização
Em Niterói, o reconhecimento dessa atividade também se consolidou em política pública. Em 2023, foi aprovada a lei de autoria do vereador Leonardo Giordano que inclui no Calendário Oficial de Eventos do município o Dia do Artesão, celebrado em 19 de março, e institui a Semana do Artesanato, realizada anualmente entre os dias 19 e 26 de março. A iniciativa reforça o compromisso com a valorização do artesanato como manifestação cultural, trabalho, empreendedorismo e geração de renda para a cidade.
Confira onde encontrar as Feiras de Artesanato em Niterói
Horto do Fonseca
Sábados, domingos e feriados — das 9h às 18h
Campo de São Bento
Sábados, domingos e feriados — das 9h às 15h
Orla de São Francisco
Segundo domingo do mês — das 10h às 19h
Praça do Ingá
Primeiro e terceiro sábado do mês — das 9h às 15h
Praça do Expedicionário – São Francisco
Todos os sábados — das 15h às 21h
Feira da Fibromialgia – By Market
Segunda quarta-feira do mês — das 9h às 18h
Praça do Rink
Primeira e terceira quinta-feira do mês — das 9h às 16h
Praça Zumbi dos Palmares – São Domingos
Todas as terças-feiras — das 12h às 20h
Centro Ecocultural de Piratininga
Todos os domingos — das 9h às 17h
Prestigiar o artesanato é valorizar quem transforma o trabalho manual em arte, preserva saberes e fortalece a memória, a identidade cultural e a economia criativa de Niterói.

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