Niterói: publicação é o segundo e-book desenvolvido pela parceria CBVela?UFF e consolida um ano de pesquisas realizadas em diferentes regiões do BrasilDivulgação
A publicação é o segundo e-book desenvolvido pela parceria CBVela–UFF e consolida um ano de pesquisas realizadas em diferentes regiões do Brasil, analisando quatro eventos do calendário nacional de vela em 2025. O trabalho avança ao propor a criação de uma ferramenta digital para mensuração de impactos e boas práticas de gestão para tornar as regatas mais sustentáveis.
O trabalho de pesquisa teve a participação de alunas da UFF e apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Ciência aplicada à gestão esportiva
O estudo parte de um princípio direto: não há sustentabilidade sem dados. A partir da mensuração dos impactos, especialmente os relacionados aos deslocamentos de pessoas e equipamentos, a CBVela passa a estruturar critérios concretos para melhorar a organização de seus eventos. “Ser um esporte movido a vento não torna a vela automaticamente sustentável. Este estudo mostra onde estão nossos impactos e, principalmente, como podemos agir para reduzi-los”, afirma Daniel Nottinghan B. Azevedo, presidente da CBVela.
Além da dimensão ambiental, o e-book evidencia o potencial da vela como vetor de desenvolvimento no contexto da chamada Economia do Mar. “Os dados revelam que os eventos de vela geram fluxo de renda, turismo e visibilidade para as cidades-sede. Estamos falando de uma atividade inserida na Economia do Mar, com capacidade real de impulsionar o desenvolvimento sustentável”, destaca Daniel.
O desafio de falar de sustentabilidade durante a regata
Evolução do modelo e engajamento da comunidade da vela
O estudo também marca um avanço metodológico importante. A parceria CBVela–UFF desenvolveu um protocolo de pesquisa padronizado e escalável, que permite comparar dados entre diferentes eventos e ao longo do tempo. “Construímos um modelo científico capaz de medir impactos ambientais e econômicos de forma integrada. Isso abre caminho para monitorar mudanças de comportamento e orientar políticas no esporte”, explica a professora Fátima Priscila Morela Edra, uma das autoras da publicação.
Entre os próximos passos está o desenvolvimento de uma calculadora de impacto, ferramenta capaz de oferecer resultados imediatos para os usuários sobre sua pegada de carbono e de agregar dados para orientar os profissionais que organizam regatas, além de oferecer retorno para as cidades-sede que recebem os eventos, que muitas vezes ficam sem informação sobre o quanto de recursos o evento deixou em circulação no território.
“A mensuração é só o começo. Nosso objetivo é evoluir para uma ferramenta que engaje toda a comunidade envolvida com a vela — velejadores, clubes, organizadores, autoridades municipais e parceiros —, na redução de impactos ambientais, ampliação de resultados econômicos e construção de soluções para ampliar o poder do esporte como vetor de desenvolvimento sustentável”, afirma Sandra Di Croce Patricio, gerente de Sustentabilidade da CBVela e coautora do estudo.
Inteligência artifical (IA) - O estudo será apresentado nos dias 7 e 8 de maio durante o simpósio internacional que reunirá especialistas em IA, cientistas do clima e setores da indústria e políiticas públicas para acelerar soluções climáticas baseadas em Inteligência Artificial.
O evento acontece na Universidade Federal Fluminense e é organizado em parceria com instituições alemãs de pesquisa e ensino, como o Centro de Pesquisa e Transferência para o Desenvolvimento Sustentável e Gestão das Mudanças Climáticas da Universidade de Ciências Aplicadas de Hamburgo (Alemanha), a Escola Europeia de Ciência e Pesquisa em Sustentabilidade (ESSSR), e o Programa Interuniversitário de Pesquisa em Desenvolvimento Sustentável (IUSDRP) e da Rede Alemã-Brasileira de Ciência e Tecnologia (GERBRAS-SCIENCENET).
“Temos um caso pronto para aplicação de Inteligência Artificial. Vamos mostrar nosso trabalho e buscar parcerias para a evolução do sistema que criamos ao longo de 2025 junto com a CBVela”, afirma a professora Priscila, que apresentará o estudo durante o simpósio.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.