Dia das Mães é celebrado com o projeto de acolhimento Colo da Jornada
Três oncologistas mães conduziram a roda de conversa que tratou do impacto da oncologia na maternidade, com depoimentos emocionantes de pacientes do câncer
Niterói: Luciana produziu um incensário com flor e corações - Divulgação
Niterói: Luciana produziu um incensário com flor e coraçõesDivulgação
Niterói - “Mãe, você vai morrer? Sim, mas não agora! Um dia...”. Frases como esta, reproduzindo o diálogo entre uma filha de 13 anos ao saber que a mãe tinha um tumor na mama, marcaram o mais novo projeto de acolhimento implantado pela Oncomed, desta vez, para celebrar o Dia das Mães. Batizada de Colo da Jornada, a roda de conversa organizada por três médicas oncologistas da instituição, todas mães, reuniu nesta quarta-feira, 20/05, mais de 20 pacientes de câncer para tratar do impacto da oncologia na maternidade, com momentos diferenciados de troca de experiências e emoção, e direito a um mimo para todos os participantes: um spray de óleo essencial.
O encontro foi realizado no espaço cultural Walma Erthal da Oncomed São Francisco, em Niterói, que no fim da roda de conversa foi transformado, literalmente, em um ateliê onde as participantes ganharam óleo essencial e produziram peças na oficina de cerâmica conduzida pela ceramista Juliana Mandarino. O evento resultou em depoimentos emocionantes de mulheres que se fortalecem na maternidade e dão duro no lar cuidando de filhos, marido e da casa, trabalham fora e são, ao mesmo tempo, pacientes oncológicas enfrentando os pesados tratamentos, em jornadas que muito exigem da mulher.
Idealizada pela oncologista Clara Vianna, a roda de conversa explorou situações desafiadoras vividas por conta do câncer tanto por quem precisa de cuidados (pacientes) como por quem cuida (médicos), que acabam amenizadas pela maternidade. “O Colo da Jornada veio para lembrar que, por trás do diagnóstico ou tratamento do câncer, existe a força de ser mãe que nos impulsiona a lutar e seguir. Vimos isso nos depoimentos desta roda de conversa que reuniu médicos e pacientes, em um processo de acolhimento mútuo. Afinal, nossos pacientes também nos acolhem e ensinam. A jornada é dura não só para quem é cuidado, mas também para quem cuida”, disse Clara.
A oncologista Renata Natário ressaltou que o projeto chega como um espaço diferenciado para tratar exatamente desse acolhimento. “Quando se acolhe, todos se fortalecem. Até porque nós, mulheres e médicas, também temos esta jornada dupla quando nos tornamos mães, e acabamos aprendendo muito com as pacientes, em uma troca que nos permite proporcionar um atendimento cada vez melhor”.
Reforçando as duas falas, a oncologista Marcella Almeida destacou a importância da experiência do dia a dia e da maternidade para um atendimento ainda mais humanizado. “Na faculdade aprendemos a praticar a empatia técnica. A Marcela de antes já acolhia, era simpática e tal. Mas depois de ser mãe a gente tem uma visão muito mais sensível, passamos a viver igualmente a dupla jornada que nos faz mais acolhedoras, entendendo a importância do atendimento humanizado. E a Oncomed prioriza isso: o profissional que vai além, preocupado com os pacientes que fazem tudo o que fazemos e ainda enfrentam o tratamento. Só que esse acolhimento não é ensinado na faculdade. Ele se desenvolve no dia a dia, com as experiências e troca que vivemos. Por isso a importância de ações como esta”, ressaltou Marcela.
Filhos, os grandes motivadores
A primeira paciente a falar foi Thais Carvalho, que classificou os filhos como os “grandes motivadores” para quem está em tratamento se fortalecer. “Descobri a doença há três anos, na gravidez do Theodoro, e pensava se iria ver o meu filho crescer. Foi a razão para sentir que tinha que lutar para seguir. Com essa doença que chega de repente, percebi que era hora de cuidar de mim para poder ver ele crescer. É como a história da máscara que a aeromoça nos fala no início do voo. Temos que primeiro nos salvar para depois salvar o outro. Isso foi a minha virada de chave, e mudei. O câncer me ensinou que precisamos ter muita força de vontade e equilíbrio para não perder o controle das coisas e aceitar o que não podemos mudar”.
Há dez anos em tratamento da doença que começou com um tumor de mama e evoluiu para metástases, Cristina Villas Boas, 48 anos, entende hoje a necessidade de cada um obedecer seus limites. “Como mãe solo, eu trabalhava demais para dar o melhor aos meus filhos, não tinha limite e esqueci de mim. Mal conseguia olhar para eles, que tinham acabado de ver o tio morrer de câncer e pensavam que eu também morreria, até porque passei três meses jogada na cama. A mãe fortaleza que resolvia tudo pra todo mundo não dava conta daquilo. Um dia uma amiga me chamou à realidade, reagi, dei sorte de responder bem ao tratamento e mostrei a eles que eu podia ser mãe com metástase óssea. Há um ano comecei uma químio mais pesada e é claro que há dias difíceis, sei que não tenho mais cura, mas me sinto curada em cada novo amanhecer. E vamos viver enquanto Deus dá força”.
Um intensivão de vida
Em tratamento há nove anos, Luciana Azevedo, 52 anos, teve a primeira suspeita de câncer há 23 anos, quando descobriu a gravidez há muito desejada que a antiga ginecologista quis interromper. “E aí pensei: ter o bebê ou me tratar?”, pensava ela, que encarou o desafio de ter sua única filha, e logo descobriu que não estava doente. Dois anos depois surgiu o primeiro nódulo na mama, mas também negativo. Até que em 2017 veio o tumor maligno com as cirurgias, as sessões de quimioterapia e radioterapia e todos os demais processos. Foi quando a filha, então com 13 anos, achou que a mãe iria morrer.
“Do nada ela me perguntou se eu iria morrer, e eu respondi que sim, mas não naquela hora. Conversamos muito e passamos a viver um dia de cada vez. Vieram as metástases óssea, pulmonar e outras, além das cirurgias. Mas incrível como a maternidade me trouxe uma força absurda para reagir. Aliás, a gente é capaz até de se jogar na frente de um trem por causa de um filho”, disse Luciana. Há quase dois anos, ela enfrentou a metástase no endométrio, que foi muito difícil. “Fiquei três meses muito mal, mas saí da areia movediça. Hoje encaro o câncer como um intensivão de vida, que curou muitas coisas e me permite seguir sem medo da morte. Tenho apenas pena de morrer”, disse Luciana, agradecendo a Oncomed pelo tratamento que proporciona aos seus pacientes. “É uma sorte contar com a Oncomed que nos proporciona tantas coisas... Além da assistência permanente de médicos, enfermeiros, psicólogos, farmacêuticos, nutricionista, fisioterapeuta, há um diferencial aqui: o acolhimento e a certeza de que estamos sendo cuidados”.
Ressignificando a vida
A psicóloga e psicanalista Christiane Couri, coordenadora do serviço de Psicologia da Oncomed, parabenizou as três médicas pelo rico evento de escuta e troca com as pacientes, a quem chamou de as protagonistas do dia. “É emocionante demais ouvir os depoimentos neste encontro sobre o impacto da oncologia na maternidade, que é um momento pleno de pura vida. E aí vem o câncer, mas nada como um filho para trazer de volta a vida, como aprendemos com estas nossas pacientes. Todas aqui buscaram saídas na fé e na luta, e falaram que o câncer ressignificou a vida após os momentos desafiadores da doença que trouxe positividade e fortalecimento”, destacou Christiane Couri.
Encerrando o encontro, o médico oncologista Alexandre Coury, fundador da Oncomed, agradeceu a todos pela participação no Colo da Jornada que, como outros encontros da instituição, registrou grande impacto emocional. “Vivemos hoje mais momentos de muita emoção. Isso é, sem dúvida, reflexo da cultura da nossa empresa que segue há 30 anos na contramão do mercado, priorizando o acolhimento e o atendimento humanizado. E o humanismo evidenciado aqui nesta roda é justamente o resultado da sinergia do cuidador com quem é cuidado. Isso significa maternar, que é cuidar, algo especial que só as mulheres têm condição de fazer: dar conta da família, dos filhos, do trabalho, da casa e ainda ser paciente oncológica”, disse Alexandre Coury.
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