Niterói: plano reforça o papel da APA dentro de uma lógica ambiental integrada em escala metropolitana Luciana Carneiro
Plano de Manejo da APA dos Morros da Guanabara marca novo capítulo na proteção ambiental
Documento consolida diretrizes para a gestão de 529 hectares de Mata Atlântica urbana e recursos hídricos estratégicos; iniciativa é fruto de parceria entre Prefeitura, CBH-BG e AGEVAP
Niterói – A Prefeitura de Niterói, em parceria com o Comitê de Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara (CBH-BG) e a Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (AGEVAP), entregou o Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) dos Morros da Guanabara, consolidando um marco histórico para a política ambiental do município. O documento estabelece diretrizes técnicas, legais e participativas para a gestão da unidade de conservação pelos próximos dez anos.
Criada em 2014 e requalificada em 2022, a APA dos Morros da Guanabara abrange 529,87 hectares de Mata Atlântica urbana e áreas estratégicas para a preservação de recursos hídricos, proteção de encostas e manutenção da biodiversidade da região. O plano é resultado de um processo participativo iniciado em agosto de 2025, com oficinas e debates envolvendo moradores, especialistas, órgãos públicos e representantes da sociedade civil.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade, Gabriel Velasco, destacou a importância do documento para o futuro da cidade.
“O Plano de Manejo da APA dos Morros da Guanabara é a concretização de um compromisso com as gerações futuras de Niterói. Produzimos um instrumento técnico e participativo que define com clareza como proteger os morros da região Norte da cidade, que abastecem nossos rios, preservam nossas encostas e garantem qualidade de vida para dezenas de milhares de moradores”, afirmou o secretário.
O documento divide a APA em quatro zonas com diferentes regras de uso e ocupação, estabelecendo níveis de preservação, controle urbano e incentivo ao uso sustentável do território. O plano também prevê cinco programas estratégicos voltados à gestão da unidade, educação ambiental, conservação da fauna e flora, recuperação de áreas degradadas e fortalecimento da governança participativa.
Para o geógrafo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade, Thiago Leal, o plano reforça o papel da APA dentro de uma lógica ambiental integrada em escala metropolitana.
“O que ficou evidente ao longo desse trabalho é que a APA dos Morros da Guanabara não é uma ilha verde isolada, ela é parte de um sistema ecológico que conecta Niterói a São Gonçalo, sendo de grande relevância para a Região Metropolitana. O zoneamento e os programas de gestão que construímos, com a participação da comunidade, criam as bases para que essa conectividade seja preservada e ampliada. É um plano que enxerga o território com a complexidade que ele merece”, explicou.
Um dos pontos estratégicos do plano é justamente a integração da APA ao chamado “Mosaico Leste”, corredor ecológico que conecta unidades de conservação de Niterói, São Gonçalo e Maricá, fortalecendo a preservação ambiental na Região Metropolitana.
O trabalho integra um programa regional de elaboração de planos de manejo para unidades de conservação municipais em sete cidades do estado do Rio de Janeiro. O especialista em Recursos Hídricos da AGEVAP, Gabriel Macedo, ressaltou o caráter colaborativo e técnico do processo.
“Na minha visão, foi um processo enriquecedor, tanto em nível técnico quanto institucional, na medida em que pudemos identificar as nuances administrativas e técnicas entre cada prefeitura e unidade de conservação. Foi muito gratificante ver o empenho, o interesse e a participação efetiva das partes envolvidas no processo e saber que o plano de uso e ocupação do solo da APA, que orienta e propõe ações para o local, será executado por pessoas comprometidas e competentes”, destacou.
O Plano de Manejo prevê ainda um sistema de monitoramento anual, com metas e indicadores para acompanhar a implementação das ações ao longo da próxima década. Para os cerca de 60 mil moradores do entorno da APA, o documento representa um avanço importante para a proteção ambiental, a redução de riscos em encostas e a preservação de nascentes e áreas verdes da cidade.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.