Niterói: Laurentino Azevedo está no Brasil para criar o projeto mais icônico de sua carreiraDivulgação
Laurentino Azevedo: o brasileiro que transformou a natureza em arte e fez do mundo o seu ateliê
Por décadas, o artista e diretor criativo viveu entre alguns dos principais centros criativos do planeta
Niterói – Laurentino Azevedo é um nome que é sinônimo de disrupção e modernidade. Por décadas, o artista e diretor criativo viveu entre alguns dos principais centros criativos do planeta. Agora, de volta ao Brasil, prepara uma nova fase de sua carreira, unindo arte, natureza, tecnologia e experiências imersivas em projetos que prometem redefinir a cena cultural nacional.
Há pessoas que escolhem uma profissão. Laurentino Azevedo escolheu viver a criatividade em todas as suas formas. Artista multidisciplinar, diretor criativo, cenógrafo, designer floral, produtor cultural e criador de experiências imersivas, sua trajetória atravessa continentes, movimentos culturais e diferentes linguagens artísticas, sempre guiada por uma inquietação permanente: transformar espaços em experiências e fazer da natureza uma linguagem contemporânea.
Nascido em Niterói, Laurentino iniciou sua relação com a arte ainda muito jovem. Enquanto muitos artistas buscavam uma única linguagem para desenvolver suas carreiras, ele já transitava entre pintura, design, cenografia e instalações, realizando suas primeiras exposições no Brasil.
LEGADO DE FAMILIA
Laurentino carrega no nome e no sangue o legado de seu pai, o homônimo e célebre compositor brasileiro Laurentino Azevedo, uma das grandes mentes da era de ouro da rádio e do carnaval carioca. uma figura marcante na música popular brasileira nas décadas de 1940 e 1950. Autor de clássicos e marchinhas que animaram gerações (como "Casa de Marimbondo", em parceria com Christovão de Alencar, e "Mocidade que Perdi"), ele deixou um legado de ritmo, poesia e sensibilidade que hoje se traduz na estética vibrante e rítmica que o filho imprime em suas criações visuais. A trajetória de Laurentino Azevedo (filho) é profundamente conectada à sua raiz familiar. Toda inquietação e incentivo familiar o levaram a deixar o país cedo. Seu primeiro destino foi Ibiza.
Muito antes de a ilha espanhola se tornar um dos maiores símbolos da música eletrônica mundial, Laurentino encontrou ali um laboratório de liberdade criativa. Entre artistas, músicos e arquitetos, descobriu que arte não precisava estar confinada às galerias. Ela podia ocupar paisagens, envolver pessoas e transformar completamente a maneira como um espaço era vivido. A experiência mudou sua visão para sempre. Ao retornar ao Brasil, trouxe consigo um olhar inédito para o entretenimento e para a cultura urbana.
No início dos anos 1990, participou da criação de algumas das primeiras festas de música eletrônica do Rio de Janeiro, expandindo esse movimento para São Paulo e outros estados brasileiros. Em uma época em que o gênero ainda era praticamente desconhecido no país, ajudou a construir uma cena que mais tarde daria origem aos grandes festivais e às raves que hoje movimentam milhares de pessoas. Mas o Brasil logo se tornaria pequeno para sua curiosidade. Miami foi sua primeira parada nos Estados Unidos, onde iniciou uma carreira no design de interiores. Pouco depois, mudou-se para São Francisco, aprofundando seus estudos em arte e design em uma cidade que respirava inovação. A convivência com diferentes disciplinas ampliou seu repertório criativo e consolidou sua visão multidisciplinar.
Mas foi Nova York o grande divisor de águas. Durante mais de uma década, Laurentino viveu no centro da indústria criativa mundial. Trabalhou como diretor de arte, stylist, cenógrafo e produtor visual em editoriais de moda, campanhas publicitárias, filmes, videoclipes e projetos especiais. Sua assinatura passou por publicações como Vogue, Harper's Bazaar, W Magazine e V Magazine. Vestiu artistas, músicos e celebridades e colaborou com grandes fotógrafos e criativos internacionais. Também desenvolveu vitrines e experiências de visual merchandising para gigantes do varejo, como Macy's, Bloomingdale's e Victoria's Secret. Mas seu trabalho nunca esteve limitado à moda. Cada novo projeto era uma oportunidade para cruzar disciplinas, aproximando arte, arquitetura, design e narrativa visual.
Depois de dez anos em Nova York, a Europa passou a ser seu novo território criativo. Barcelona tornou-se sua base, de onde coordenava projetos entre Paris e Milão. A convivência com algumas das capitais mais influentes da criatividade mundial aprofundou seu interesse por arquitetura, design contemporâneo, artes aplicadas e experiências sensoriais. Mais tarde veio Londres. A cidade transformou-se em seu endereço definitivo durante mais de duas décadas. Naturalizado britânico, Laurentino construiu ali uma sólida carreira desenvolvendo projetos para hotéis de luxo, marcas internacionais, residências particulares, galerias e eventos de grande porte. Foi também em Londres que nasceu a marca LaFlor. Mais do que um estúdio de design floral, a LaFlor tornou-se um laboratório artístico onde flores, galhos, raízes, troncos, musgos e materiais recolhidos da natureza passaram a dialogar com arquitetura, cenografia e arte contemporânea. Suas instalações desafiaram a lógica tradicional do design floral. "As flores deixaram o vaso", costuma dizer quem acompanha seu trabalho. Em vez de arranjos convencionais, Laurentino passou a criar paisagens vivas, esculturas botânicas e instalações monumentais capazes de transformar completamente um ambiente.
Em seu portfólio de parcerias e consultorias visuais, figuram lendas como: Alexander McQueen, Burberry, Celine, Ralph Lauren, Versace e Roberto Cavalli. Diplomado pela renomada Covent Garden Academy of Flowers em Londres, ele fundou a Laflor Floral Design (ou Laflor London), redefinindo o conceito de arte viva. Suas instalações botânicas invadiram o design de interiores de alto padrão. Na DW! Rio 2025, criou a aclamada instalação sensorial "Broto" no CasaShopping (com curadoria de Raquel Paraquett); no CasaCor Rio 2025, assinou o paisagismo de espaços sofisticados e sustentáveis em colaboração com escritórios de arquitetura de ponta (como o estúdio THIMI).
"Seja no ritmo que meu pai escrevia para o carnaval do Rio, nas batidas sintéticas das pistas eletrônicas de Londres, ou no desabrochar de uma instalação floral na CasaCor, a minha busca é sempre a mesma: criar uma conexão profunda, estética e inesquecível com o público", disse Laurentino Azevedo.
SUSTENTABILIDADE
Sua pesquisa sempre esteve conectada à sustentabilidade. Grande parte dos materiais utilizados em suas obras é recolhida na natureza de forma consciente — madeiras levadas pelo mar, raízes, sementes e elementos orgânicos que ganham nova vida através da arte. Após mais de trinta anos vivendo entre Estados Unidos e Europa, Laurentino decidiu retornar ao Brasil para iniciar o projeto mais ambicioso de sua carreira. Entre as iniciativas que desenvolve estão o Metasfera, uma experiência imersiva em domos de projeção 360° que une arte, tecnologia, educação e cultura brasileira, e o Respira, uma série de instalações botânicas monumentais que propõe uma reflexão sobre biodiversidade, regeneração e a relação entre o ser humano e a natureza. Outro projeto, Lumena, leva essa pesquisa para o universo da música eletrônica, combinando projeções, cenografia, arte digital e experiências sensoriais em grande escala.
Mais do que revisitar sua trajetória internacional, Laurentino parece determinado a colocar toda essa experiência a serviço da cultura brasileira. Seu objetivo não é apenas criar obras. É construir experiências capazes de emocionar, transformar espaços e provocar novos olhares sobre o mundo. Depois de cruzar alguns dos maiores polos criativos do planeta, ele retorna ao lugar onde tudo começou. Mas não volta como quem encerra um ciclo. Volta como quem pretende inaugurar um novo capítulo da arte contemporânea brasileira.

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