Niterói: município também desenvolve iniciativas para ampliar o atendimento especializado, como o Programa Fila Zero e mutirões cirúrgicosDivulgação/Ascom
Niterói amplia cirurgias de hérnia pelo SUS
Hospital Oceânico já realizou cerca de 6 mil procedimentos em 2026; especialistas defendem ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento da doença
A ampliação da oferta de cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Niterói tem contribuído para reduzir filas e ampliar o acesso da população a procedimentos especializados. O avanço ocorre em um contexto de preocupação com as hérnias da parede abdominal, condição que pode atingir entre 20% e 25% dos adultos brasileiros, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal (SBH).
De acordo com a Prefeitura de Niterói, o Hospital Municipal Dr. Gilson Cantarino, conhecido como Hospital Oceânico, em Piratininga, realizou cerca de 6 mil cirurgias de diferentes especialidades em 2026. Entre os procedimentos oferecidos pela unidade estão as cirurgias para correção de hérnias, além de operações gastrointestinais e oncológicas.
O município também tem investido em estratégias para ampliar o acesso da população aos serviços especializados de saúde, como o Programa Fila Zero e a realização de mutirões cirúrgicos, iniciativas voltadas para agilizar consultas, exames e procedimentos da rede pública.
Doença pode afetar um em cada quatro adultos
As hérnias da parede abdominal estão entre os problemas cirúrgicos mais frequentes no país. Segundo a SBH, a condição pode atingir até um em cada quatro adultos brasileiros, o que representa aproximadamente 28 milhões de pessoas.
A doença ocorre quando tecidos ou órgãos se projetam através de uma região enfraquecida da musculatura abdominal. Os sintomas mais comuns incluem o aparecimento de uma saliência no abdômen ou na virilha, além de desconforto ou dor durante esforços físicos.
Em situações mais graves, sinais como dor intensa, vômitos e alteração na coloração da região afetada podem indicar complicações e demandam atendimento médico imediato.
Embora nem todos os casos exijam cirurgia de forma urgente, o tratamento adequado é considerado fundamental para evitar agravamentos e preservar a qualidade de vida dos pacientes.
Número de cirurgias permanece estável no SUS
Dados levantados pela Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal junto ao DATASUS mostram que o volume de cirurgias de hérnia realizadas pelo SUS permaneceu relativamente estável nos últimos anos.
Foram registrados 334.229 procedimentos em 2023, número que passou para 361.856 em 2024. Em 2025, foram contabilizadas 345.725 cirurgias. Já entre janeiro e julho de 2026, o sistema registrou 200.937 operações.
Apesar dos números expressivos, especialistas alertam para a necessidade de ampliar a capacidade de atendimento, especialmente diante do elevado número de pessoas afetadas pela doença.
Desigualdade no acesso ao tratamento preocupa especialistas
Outro desafio apontado pela entidade é a diferença no acesso aos procedimentos entre usuários do SUS e pacientes da saúde suplementar.
Dados da publicação Demografia Médica no Brasil 2025 indicam que, em 2023, foram realizadas 215 cirurgias de hérnia para cada 100 mil usuários do SUS. Entre os beneficiários de planos de saúde, a taxa chegou a 401 procedimentos por 100 mil pessoas, uma diferença de 86,6%.
Para reduzir esse cenário, a SBH promove mutirões cirúrgicos em diferentes regiões do país há mais de uma década. Em 2026, uma das ações foi realizada em Volta Redonda, onde 20 pacientes do SUS foram submetidos a cirurgias robóticas para correção de hérnias.
Segundo o presidente da entidade, Heitor Santos, a iniciativa busca diminuir a demanda reprimida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
“Com os mutirões, o papel da SBH é também contribuir para que a demanda não se transforme em filas cada vez maiores. E claro, também devolver ao paciente a qualidade de vida e o retorno sem dor às atividades do dia a dia. Além da redução nas filas, os mutirões ainda levam conhecimento e treinamento para diferentes regiões do país”, afirmou.
Ampliação do atendimento é apontada como prioridade
Para especialistas da área, fortalecer a rede de atendimento, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e garantir a realização dos procedimentos quando indicados são medidas essenciais para enfrentar o impacto das hérnias da parede abdominal na população.
Nesse contexto, a expansão da oferta cirúrgica em municípios como Niterói é vista como uma estratégia importante para reduzir o tempo de espera por atendimento e assegurar que pacientes tenham acesso ao tratamento adequado antes que surjam complicações mais graves.

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