Investigado na Lava Jato, Eduardo Cunha se defende de acusações

Com a presença de Pezão, presidente da Câmara dos Deputados fez um discurso na Associação Comercial do Rio, onde foi homenageado, e criticou o procurador Janot

Por paloma.savedra

Rio - No centro do debate por figurar na lista de políticos acusados de envolvimento no escândalo de corrupção na Petrobras, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), afirmou, nesta segunda-feira, que é muito dificil seu partido continuar no governo na próxima eleição e lançou a possibilidade do candidato à presidência da República ser o prefeito Eduardo Paes. "É muito pouco provável que o partido continue no governo depois de 2018. O candidato à presidência pode ser até o Eduardo Paes", relatou Cunha, na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), onde foi homenageado.

Perguntado sobre o financiamento de campanha de políticos por empresas, previsto na pauta da reforma política, Cunha se esquivou e afirmou que o momento atual não permite discussões. "Não está na hora de discutir isso, mas sou veementemente contra proibir essa prática. É uma tentativa de criminalização de algo que é legal. Achar que isso é raiz da corrupção coloca em dúvida todos os políticos que foram eleitos no país", disparou o presidente da Câmara.

Eduardo Cunha se defendeu de acusações e criticou o procurador Rodrigo JanotLevy Ribeiro / Parceiros / Agência O Dia

Em um discurso de sete minutos, realizado na ACRJ, Cunha se defendeu das acusações no escândalo da estatal. Investigado como um dos principais integrantes do chamado 'núcleo político' do esquema desmantelado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, Cunha teve pedido de abertura de inquérito aceito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última sexta-feira. Além dele, estão na lista outros políticos, como o presidente do senado Renan Calheiros.

"Não tenho nada a esconder ou temer. Vou responder tudo ponto a ponto, quando for demandado", declarou o parlamentar. O pedido de abertura de inquérito indica que Cunha teria participado de um esquema para o aluguel de uma peça de plataforma de petróleo, que teria envolvido pagamento de propina. Ele lembrou que o fato ocorreu em 2006, quando ele era do grupo dissidente do PMDB, que não fazia parte da base do governo.

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"Eu queria que o PMDB lançasse candidatura própria. Tudo está baseado em uma suposta indicação do meu partido para uma diretoria (Nestor Cerveró, da área internacional)", disse ele, que voltou a criticar o procurador Rodrigo Janot. "O procurador escolheu quem investigar. Nós vamos discutir muito as motivações políticas dessas aberturas de inquérito", apontou Cunha. 

As declarações foram feitas com a presença do governador Luiz Fernando Pezão, que esteve no local e também teve seu nome citado na delação premiada do ex-dirigente da Petrobras, Paulo Roberto Souza. O governador nega.  Tentando sair da defensiva, Cunha, disse ainda aos empresários que estavam no evento que "2015 é um ano perdido para a economia, e que a crise econômica foi aprofundada pela crise política". 

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