Copiloto fez buscas por 'suicídio' na web dias antes de tragédia na França

Andreas Lubitz é acusado de derrubar "de maneira deliberada" o avião da Germanwings

Por tamara.coimbra

Alemanha - Promotores alemães informaram, nesta quinta-feira, que o copiloto do avião da Germanwings que caiu nos Alpes franceses matando 150 pessoas, fez buscas na Internet, dias antes da tragédia, por métodos para cometer suicídio. Os dados foram encontrados em um computador apreendido na casa de Andreas Lubitz, acusado de derrubar 'de maneira deliberada' a aeronave.

A acusação informou, em nota, que averiguações sobre o funcionamento das portas da cabine dos aviões e suas medidas de segurança também foram feitas por Andreas. "Ele procurou por maneiras de cometer suicídio em pesquisas no computador que aconteceram entre 16 e 23 e março, um dia antes do acidente", revela trecho do documento.

Copiloto alemão Andreas Lubitz lançou aeronave da Germanwings de propósito contra montanha%2C matando 150 pessoas a bordo, diz acusaçãoReuters

"Em pelo menos um dia, ele pesquisou por diversos minutos sobre a cabine e as medidas de segurança", acrescentou a nota. A emissora americana CNN informou que Andreas estava procurando por médicos e havia se consultado com pelo menos cinco profissionais. De acordo com os investigadores, está cada vez mais claro que o copiloto estava com medo de perder sua licença para pilotar devido a problemas médicos.

Copiloto da Germanwings escondeu de médicos que estava em atividade

Adreas Lubitz teria supostamente mentido para médicos, dizendo que estava em período de licença médica, e não pilotando voos comerciais, publicou o jornal alemão "Bild" nesta quinta-feira. A revelação ocorre quando a Alemanha monta um força-tarefa para absorver as lições de segurança tiradas do acidente.

Citando fontes próximas à investigação, o jornal Bild revelou que Lubitz havia procurado ajuda médica para tentar curar um problema na vista. Embora o copiloto tenha falado aos médicos sobre o seu trabalho e, em alguns casos, sobre a Germanwings, ele escondeu que estava exercendo suas funções, informou o periódico.

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Se Lubitz tivesse dito aos médicos que ainda voava, eles poderiam se sentir no dever de quebrar a relação de confidencialidade com o paciente e informar aos empregadores, já que ele poderia representar perigo para outras pessoas. O Bild afirmou que os documentos disponíveis para os investigadores revelaram que Lubitz dissera ter sido vítima de um acidente de carro no fim de 2014 e reclamara do resultante trauma e problemas de vista.

Os motivos de Lubitz para trancar o capitão do lado de fora da cabine do A320 e aparentemente, de forma deliberada, conduzir o avião em direção a uma montanha são ainda um mistério. Registros médicos mostraram que Lubitz afirmou que tomava remédios para depressão, ansiedade e ataques de pânico, afirmou o "Bild", acrescentando que esses medicamentos incluíam o tranquilizante Lorazepam.

A Lufthansa, companhia da qual a Germanwings é afiliada, afirmou que Lubitz informou à escola de voo em 2009 que tinha passado por um "episódio prévio de depressão severa". Isso pode afetar os pedidos de indenização à Lufthansa, embora os familiares de vítimas possam no final acabar recebendo, segundo advogados, compensações bastante diferentes.

Policiais buscam informações na casa do copiloto alemãoReuters

Um dos temas a ser avaliado por uma nova força-tarefa de especialistas, grupo anunciado pela Alemanha nesta quinta-feira, serão mudanças nos testes médicos e psicológicos feitos por pilotos, segundo o ministro do Transporte e o líder da associação da indústria aérea. Entre as suas tarefas, para garantir o mais alto padrão de segurança possível, o grupo vai examinar mudanças no mecanismo que permite a porta da cabine ser trancada por dentro, uma medida tomada depois dos ataques de 11 de Setembro nos Estados Unidos.

O presidente da associação da indústria aérea, Klaus-Peter Siegloch, afirmou que os temas devem ser discutidos o mais rápido possível. "É muito importante que digamos que não queremos esperar até o fim da investigação, que pode tomar um tempo relativamente longo nesses casos de catástrofe aérea", afirmou.

Também há abertura para discutir outros temas que surgiram na investigação francesa, incluindo a identificação de passageiros em voos dentro da zona europeia livre de passaporte. Alguns ministros disseram que não estava imediatamente claro quem estava no avião devido ao esquema de controle de fronteiras conhecido como Schengen.

Com informações da Reuters

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