Rio - Descontração, muita festa, clima de euforia e confraternização marcaram o dia de jogos de ontem no Fifa Fan Fest, em Copacabana. Famílias inteiras, muitos torcedores argentinos, alguns belgas, holandeses e costa-riquenhos, além de centenas de brasileiros, assistiram ao jogo entre Argentina e Bélgiga e, mais tarde, entre Holanda e Costa Rica. Quem ficou fora do cercado escolheu o calçadão da Avenida Atlântica, esquina com Prado Júnior, para assistir às partidas. A tristeza só apareceu por conta do corte de Neymar da Copa.
Até mesmo nossos adversários na semifinal se mostraram solidários. “Seria muito mais difícil para a Alemanha, mas não será justo. Estamos muito tristes pelo Neymar. Queremos ganhar, mas com o Brasil jogando com seu melhor time”, ressalta o torcedor Kai Zimmermann, que está no Brasil pela primeira vez com sua mulher, Anne-Sophie Graf, e se diz encantado com o país. “Fui ao Maracanã ver Alemanha e França. Uma experiência incrível”, destacou.
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E não é apenas o camisa 10 que vai desfalcar o Brasil. Os ‘inimigos’ alemães sabem muito bem. “O Thiago Silva também será uma ausência significativa na partida”, lembrou Marc Digeser, ao lado do amigo Armin Thieringer. “Sem esses dois jogadores, vai ser mais fácil, pois são fantásticos”, elogia.
Soltinhos no calçadão carioca, o também alemão Davius Müller e o filho Dirk se destacavam pela cor da pele, branca como a neve. Logo, se enturmaram com três brasileiras, Carolina, Monique e Rahiane, e a rivalidade se transformou em confraternização. “Se fosse com Neymar, não sei se a Alemanha ganharia. O resultado vai ser apertado: 2 a 1 para nós”, torce Davius. Monique concorda, mas ao contrário: “Vai ser 2 a 1, sim, mas para o Brasil! Eu apostei com as minhas amigas esse resultado no jogo contra a Colômbia e ganhei”, gabava-se a brasileira.
Até mesmo os argentinos gostariam de encarar a Seleção com Neymar. É o caso de Claudio Quarin. Para ele, enfrentar o Brasil sem o camisa 10 não será igual. “É triste, lamentável”, ponderou, acrescentando que é muito difícil prever o resultado de uma disputa entre as duas equipes. “São duas fortes seleções e não dá para dizer quem vai sair campeão dessa disputa.”
A conterrânea Victória Tonzar, acompanhada da irmã e de amigos, acredita que o Brasil ganhará da Alemanha, mas perderá a final para Argentina. “Vai ser 1 a 0, com gol aos 91 minutos, de Messi”, vaticinou.
Aliviada com a vitória da Holanda contra a Costa Rica, a enfermeira Ellis Janssen, de 25 anos, aposta em outra final. “Vai dar Brasil e Holanda”, garante ela.
Muitos brasileiros acreditam que o Brasil vencerá, mesmo desfalcado da principal estrela, e, assim como a enfermeira Ellis, acham que a Argentina ficará fora da final. Caso do professor Fábio Aquino. “Será doloroso, mas vai dar Brasil. Será 2 a 1”, disse o professor. Já o estudante Ítalo dos Santos acredita numa final contra a Argentina. “E vamos vencer por 3 a 1”.
Apoio a Neymar e ofensas a Zúñiga
Nas redes sociais, o golpe que atingiu Neymar também abateu a torcida. Como resposta à amarga retirada do craque do Mundial, torcedores criaram mais de 50 páginas no Facebook com a hashtag #ForçaNeymar, compartilhada também no Twitter, e criaram eventos com o mesmo nome. Outros substituíram as fotos dos seus perfis por um retrato do artilheiro.
Uma terceira parte de descontentes com a fratura de Neymar encheu o Instagram do jogador colombiano Juan Zúñiga — que protagonizou a agressão — com xingamentos racistas, ameaças de morte e insultos à pequena filha dele.
Mesmo os que não continham xingamentos e comentários chulos vinham carregados de um ódio antidesportivo. “Espero que você (filha) não tenha o coração que ele tem”, diz um comentário. “Que tal estourarmos a coluna da sua filha?”, diz outro. “Sua filha vai ter vergonha de te chamar de pai”, dispara um terceiro.
No Twitter, não foram poucos brasileiros que chamaram Zúñiga de “macaco”.
A comoção pela saída de Neymar e a baixaria contra o jogador colombiano levaram os termos “Zuniga” e “Neymar Jr” para a lista dos assuntos mais comentados do dia. Outros usuários se manifestaram contra as expressões racistas e humilhações.
‘Calçadão Fan Fest’ faz sucesso em Copacabana
Fora das areias do Fifa Fan Fest, diversos torcedores elegeram o calçadão central da Avenida Atlântica e da esquina com a Prado Júnior como ‘point’ para ver os jogos de ontem. A grande maioria era de brasileiros, que ‘secaram’ a Argentina no jogo contra a Bélgica — a outra partida foi entre Holanda e Costa Rica.
Entre os brasileiros do ‘Calçadão Fan Fest’, o representante de vendas Ivan Gomes, 57 anos. Morador de Bonsucesso, ele ficou no calçadão por ser bem mais vazio. “Aqui é só a diretoria. Não tem ninguém na minha frente!”, brincou.
O argentino David Marcantoni, com a camisa de Messi, aproveitou para pintar os rostos dos torcedores que desfilavam pelo calçadão. E nem cobrou os R$ 10 de costume. Só não convenceu o belga Dylan Wagner a ostentar as cores branca e azul. “Como hoje é nosso dia, vou pintar até mesmo os ‘vermelhos’”, tentou ele.




