Rio - A seleção brasileira ainda precisa de dois jogos para conquistar a Copa do Mundo. Mas, se dependesse da caipirinha, a torcida já poderia comemorar. O entrosamento perfeito entre limão, cachaça, gelo e açúcar tem encantado a multidão de turistas que aqui chegou para assistir ao Mundial.
Basta uma simples caminhada pelo calçadão de Copacabana, a qualquer hora do dia ou da noite, ou pelos Arcos da Lapa, para comprovar o sucesso da nossa bebida mais famosa. “A gente vendia 300 caipirinhas por mês. E nesta Copa foram mais de cinco mil em 15 dias. Sucesso absoluto. E só sai a tradicional, com limão e cachaça. Nada de vodca, morango ou abacaxi”, diz Bia Berwager, gerente do quiosque Costello, no Posto 3.
A equipe de reportagem do DIA encontrou um grupo de 11 turistas europeus de diversas nacionalidades: italianos, romenos, malteses e macedônios. Em comum entre eles, o encanto pela caipirinha brasileira.
“É uma bebida deliciosa. A gente já tinha ouvido falar bem da caipirinha, mas não sabíamos que era tão boa. É saborosa, refrescante e deixa a gente animada rapidamente”, elogiou a romena Mihaela Cringasu, 24 anos.
Os argentinos Gonzalo Benabú e Marcelo Selva deixaram de lado a eterna rivalidade entre San Lorenzo e Boca Juniors e se uniram em torno do limão e da cachaça na Praia de Copacabana. Já haviam perdido a conta de quantos reais gastaram e não sabiam se conseguiriam dinheiro suficiente para assistir à final no Maracanã.
“A gente veio confiante na eliminação do Brasil e, consequentemente, numa sobra de ingressos para a grande final. Mas agora já acho que vai dar Brasil e Argentina, e a gente vai passar o jogo na praia bebendo caipirinha”, brincou Gonzalo.
A noite na Lapa também tem feito o estoque de limão e cachaça acabar cedo. Muitos comerciantes e, sobretudo, barraqueiros, que oferecem um preço mais acessível, estão impressionados com a sede dos nossos visitantes ilustres.
“Gasto pelo menos dois sacos de limão todas as noites. Cada saco pesa 20 quilos. Antes, um saco dava quase que para a semana inteira. Nunca fiz tanta caipirinha na vida. Por mim, pode ter Copa do Mundo todo ano aqui”, comemorou o vendedor Robson Luiz.
Qualidade do limão é fundamental
O empresário Leandro Amaral, dono do bar Da Gema, na Tijuca, que este ano ganhou o prêmio de melhor caipirinha da cidade no concurso Comida Di Buteco, conta que o segredo está em conhecer bem a qualidade do limão. Ou de qualquer outra fruta a ser misturada à cachaça.
“Tem que saber bem como usar a fruta. E usar uma boa cachaça. Mas a pessoa que prepara também faz a diferença”, conta Leandro, que sempre que pode faz questão de servir as caipirinhas no Da Gema.
Em Copacabana, o barman Raimundo Roberto, responsável por boa parte das cinco mil caipirinhas vendidas no quiosque Costello, dá outras dicas preciosas aos gringos: “Tem que retirar as extremidades e o miolo do limão, que amargam a caipirinha. Esse é o grande segredo. Depois, se o limão estiver fresco, não for velho, basta misturar numa boa cachaça e mexer com gelo e um pouco de açúcar que fica tudo certo”, ensina Raimundo Roberto.
O alemão Franz Moeller é um dos fãs diários das caipirinhas preparadas por Robson. E dá uma justificativa cultural para ter deixado a cerveja e o steinhager de lado enquanto está no Brasil.
“Uma das coisas legais de viajar pelo mundo é conhecer as bebidas dos países. E aí o Brasil se destaca internacionalmente, pois a caipirinha é uma delícia”, elogiou.




