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Samba da Viradouro é o melhor do Carnaval 2015

Júri deu nota 10 à escola de Niterói que fará homenagem à cultura negra

Por bianca.lobianco

Rio - Foi sem choro, nem vela. Sem reclamação, nem chiadeira. A Unidos do Viradouro, que ano que vem estará de volta aos desfiles do Grupo Especial após quatro anos, tem o melhor samba de enredo do Carnaval 2015. E ponto final.

A escola de Niterói foi apontada a melhor pelo júri formado pelo DIA, que nos últimos anos se dividiu entre Salgueiro, Portela e Vila Isabel, mas desta vez foi unânime, com nove notas 10, em apontar a Viradouro como a agremiação que levará o samba mais bonito para a Avenida no ano que vem.

O DIA escolhe o melhor samba de 2015Arte%3A O Dia

“É o melhor, disparado. Negócio de 10, nota 10. Vai surpreender e sacudir a Sapucaí. A Viradouro tem que fazer um grande desfile para homenagear o Luiz Carlos da Vila”, elogia o sambista Marquinhos Satã, um dos jurados do jornal.

O cantor e compositor Gabriel Azevedo, do grupo Casuarina, fez coro com as palavras do amigo e elogiou a ousadia do presidente da Viradouro, Gusttavo Clarão, que abriu mão da disputa interna e apostou na junção de dois sambas espetaculares compostos por Luiz Carlos da Vila. “Foi uma escolha excelente e corajosa, com letra e melodia num alto nível. Nem importa se vai empolgar a avenida ou não. O samba é espetacular”, disse.

Entre os estudiosos de samba de enredo, o historiador Luiz Antônio Simas, sempre rigoroso nas avaliações, deu apenas uma nota 10 este ano: justamente para a Viradouro e sua opção pelo poeta da Vila da Penha.“Como o que está em questão não é o mérito de julgar a opção da escola pela junção de dois sambas de Luiz Carlos da Vila, e sim a qualidade da obra, não resta outra alternativa. A conferir apenas o andamento da bateria durante o desfile”, disse Simas.

Responsável pela escolha do samba, o presidente Gusttavo Clarão festejou o resultado. Músico, cantor e compositor, ele explicou que apostou na ousadia para conseguir permanecer na Grupo Especial em 2016.
“A escola que sobe num ano normalmente cai no ano seguinte. É preciso ousar para fazer a diferença. Um bom samba leva a bateria, harmonia e evolução da escola”, disse Gusttavo, que juntou as composições ‘Nas veias do Brasil’ e ‘Um dia de graça’ para fazer o samba. E o enredo, intitulado ‘Nas veias do Brasil, é a Viradouro num dia de graça’.

Esperto, o presidente aproveitou uma brecha do regulamento para juntar os sambas. Mas tudo feito com o consentimento e a aprovação do presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), Jorge Castanheira, para evitar que o tiro saísse pela culatra.

“Acho que precisamos resgatar um pouco do passado porque está tudo muito igual. No Carnaval, é preciso ter ousadia, mas como eu não sou o Paulo Barros para ousar em fantasias e alegorias, tenho que ir para a praia que eu conheço, que é a música”, brincou Gusttavo Clarão, feliz da vida com o sucesso do samba.

Beija-Flor resgata alma africana

O mau desempenho da Beija-Flor em 2014, com um sétimo lugar que tirou a escola do desfile das campeãs após mais de duas décadas, fez a agremiação de Nilópolis reagir rapidamente. Não fosse a tacada certeira de Gusttavo Clarão, o título de melhor samba do ano voltaria para a Baixada Fluminense.
O fracasso de público e crítica com o enredo sobre Boni fez com que a Beija-Flor optasse novamente por um enredo africano, temática sempre bem desenvolvida pela escola e muito bem acolhida pela comunidade e jurados. A bola da vez é a Guiné Equatorial.

“A escola vem com um samba espetacular, completo. Tem uma letra fantástica que daria até roteiro de um filme”, elogiou Raphael Azevedo, editor-assistente do ‘Meia Hora’. A letra é, de fato, o ponto alto do samba, que faz uma espécie de mea culpa pelos erros do Carnaval deste ano e pede à comunidade para sarar as feridas do passado com versos como “quem beija essa flor não chora”.

“O melhor samba da Beija-Flor dos últimos anos. A escola de Nilópolis resgata a sua alma africana com muito bom gosto”, disse o intérprete Paulinho Mocidade. Gabriel Azevedo, do Casuariana, foi outro que se rendeu à dobradinha feita pela Beija-Flor com os africanos da Guiné Equatorial. 

“Uma melodia em tom menor inspiradíssima, que casou muito bem com a letra do samba. Tem o melhor e mais bonito refrão do Carnaval, com “negro canta, negro clama liberdade”, elogiou o músico.

Mangueira fica em terceiro e Portela divide jurados

Mangueira também ficou bem cotada no júri com a terceira colocação, empatada com a Imperatriz. “Samba valente que evoca símbolos mangueirenses como Dona Zica, Dona Neuma e o jequitibá. O excelente refrão do meio resgata a força da negritude do povo de Mangueira, que nem sempre tem o espaço que merece no desfile da escola”, destaca Raphael Azevedo.

A Imperatriz, no entanto, recebeu mais notas 10 do que a Verde e Rosa. Um deles dado pelo jurado Fábio Fabato. “O mais completo samba de 2014. Letra impecável, melodia sofisticada e inovadora para um gênero pleno de repetecos recentes. Até o verso da “banana contra o preconceito”, a partir do episódio com o lateral da seleção Daniel Alves, me parece adequado”, lembrou Fabato.

Quinta colocada, a Portela dividiu o júri. A Azul e Branco de Madureira obteve quatro notas 10, mas recebeu um 9,4 e um 9,5. Escola que apresentou um dos mais elogiados sambas do Carnaval passado, o Salgueiro errou o tom para o ano que vem, ficando em penúltimo lugar no júri, à frente apenas da Mocidade, que segundo os jurados tem o pior samba da safra de 2015. “Salgueiro não fez samba, assim como a Unidos da Tijuca e a Mocidade. Aquilo é marcha, por isso dei 9,1 às três”, justificou Luiz Antônio Simas.


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