Quadrilha chefiada por traficante queria dominar toda a Região dos Lagos

Preso em 2014, Cadu Playboy apoiou candidatos à Alerj e à Câmara dos Deputados comprando votos a R$ 50

Por O Dia

Rio - A quadrilha chefiada pelo traficante Carlos Eduardo Rocha Freire Barboza, o Cadu Playboy, tinha o objetivo de expandir o tráfico de drogas por toda a Região dos Lagos. De acordo com o promotor Marcelo Mauricio Arsenio, do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, a quadrilha tentou comprar votos nas últimas eleições em apoio a candidatos a deputado federal e estadual. Durante a operação desta terça-feira no Rio, Niterói e Região dos Lagos, 11 mandados de prisão foram cumpridos. Outros 10 já estavam presos, entre eles Cadu.

Braço do tráfico em Cabo Frio%2C Cadu Playboy queria expandir domínios por toda a Região dos LagosDivulgação

Durante a operação, quatro veículos, R$ 75 mil e 50 caixas de cápsulas para endolação de drogas foram apreendidas. O pai de Cadu Playboy, Francisco Eduardo Freire Barbosa, presidente da Empresa Cabista de Desenvolvimento Urbano e Turismo (Ecatur), foi preso durante a operação. Ele participou do esquema de lavagem de dinheiro do tráfico. O criminoso usava outros familiares — mulher, o sogro, cunhado, tia e primos — como laranjas. Eles lavavam o dinheiro do tráfico na compra de bens.    

Nas últimas eleições, há indícios de que a quadrilha reuniu moradores de São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e Arraial do Cabo para tentar o pleito de um candidato a deputado federal e outro estadual. Eles não foram eleitos. Entretanto, de acordo com o promotor do caso, a finalidade era testar o poder que tinham na região visando às eleições para vereador em 2016, ano das Olimpíadas. Cada morador que votava nos candidatos apontados pelos criminosos recebia R$ 50.

Foram sequestrados em bens 10 casas e 14 terrenos, dentro de um mesmo condomínio em Arraial do Cabo, 12 veículos, uma escuna, quatro caminhões e um jet ski. Os mandados de mandados de busca e apreensão, além do sequestro de bens móveis e imóveis e o bloqueio de valoresforam cumpridos nas seguintes empresas: Rocha e Vignoli Empreiteira Ltda.; C Vignoli Restaurante e Pizzaria; Locabotur Ltda.; T. Vignoli Comércio; Gordo Pizzas; D. G. Vignoli Confecções; RCJ Comercio Atacadista de Material de Laboratório Ltda; Douglas Pereira Rocha; Rui Pralon Meireles; B & B Cabo Frio Comércio e Representação e Serviços Ltda.; Bragança e Barboza Ltda; José Vignoli; e Soft Rio Confecção Ltda.

As investigações começaram em setembro do ano passado, após a apreensão de uma enorme carga de armas. Segundo o MP, Playboy também adquiria e recebia de fornecedores e associados armas de fogo e munições de diversos calibres, que eram distribuídas ao restante da quadrilha. Ele era auxiliado pelo também denunciado João Paulo Firmiano Mendes da Silva, vulgo “Russão” ou “Monstro”. João Paulo é apontado como um chefe ativo da quadrilha e era líder do tráfico no Morro da Mangueira. A investigação aponta que o grupo era muito violento e não queria concorrência na região.

Os integrantes da quadrilha atuavam na exploração do comércio ilegal de drogas nas comunidades Alecrim, Boca do Mato, Reserva do Peró, Cemitério, Monte Alegre, Cidade Perdida e Jardim Peró, em São Pedro da Aldeia e Cabo Frio, além de outras cidades da Região dos Lagos. Ligados a facção criminosa Comando Vermelho, a quadrilha fornecia do Rio armas, drogas e munição para abastecer as bocas de fumo do interior. Eles também são denunciados por receptação, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas de fogo, entre outros crimes.

Durante as investigações, que tiveram início em setembro de 2014, foram apreendidos três fuzis, 18 pistolas, 2.821 munições de fuzil, 1.190 munições de pistola, 173 quilos de cocaína, meia tonelada de maconha, comprimidos de ecstasy, 12 carros, um caminhão, embarcações e R$ 727 mil em dinheiro. Houve ainda o sequestro judicial de dez imóveis e 14 terrenos num condomínio em São Pedro da Aldeia. Segundo a contabilidade apreendida, o núcleo de Playboy movimentava cerca de R$ 1,8 milhão por mês.

Últimas de Rio De Janeiro