Taxistas protestam no Aterro do Flamengo

Embora reivindicações da categoria tenham sido atendidas em reunião com representantes da Prefeitura nesta quinta, ato foi mantido. Taxistas de outros estados compareceram

Por paulo.gomes

Fila de táxis ao longo do Aterro do FlamengoFábio Gonçalves / Agência ODIA

Rio - Centenas de taxistas realizam, na manhã desta sexta-feira, um protesto contra o aplicativo Uber e táxis piratas que trafegam pelas grandes metrópoles. Eles saíram de vários pontos da cidade para se concentrar no Aterro do Flamengo, na Zona Sul, e, durante o percurso, causaram um verdadeiro nó no trânsito da cidade. Importantes vias como as avenidas Atlântica, Francisco Bicalho, Presidente Vargas, entre outras, foram impactadas pela carreata realizada pela categoria. Motoristas de outros estados, como São Paulo, Paraná e Minas Gerais, também aderiram à manifestação.

Antônio Oliviero, presidente do Sindicato dos Motoristas de Empresa e Auxiliares de Táxi do Estado do Rio de Janeiro, revelou que, durante o ato, iniciado às 10h, será comunicado aos taxistas o que foi acordado em um encontro de 25 representantes da categoria com o prefeito Eduardo Paes, o secretário-executivo de Coordenação de Governo, Pedro Paulo Carvalho, o secretário municipal de Transportes,  Rafael Picciani, e o presidente da Câmara dos Vereadores do Rio, Jorge Felippe. 

"Nesse ato, eles vão concretizar três medidas que foram acordadas em reunião com o prefeito, que são o combate ostensivo à pirataria, a saída correta de aplicativos como o Uber da cidade do Rio de Janeiro, uma fiscalização dos táxis mais eficiente e correta", adiantou o representante.

"A Prefeitura fará uma solicitação ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e ao Ministério Público Federal. Além disso, serão criadas novas autonomias, através de lei do vereador Jorge Felipe, e a fiscalização dos táxis será centralizada, uma vez que hoje ela é feita por vários órgãos, como SMTR e Detro", acrescentou. 

Segundo Antônio Oliviero, hoje em dia, devido ao Uber e à pirataria, taxistas têm um prejuízo de 40%. "Nosso advogado já identificou que o problema do aplicativo é de secretaria de Fazenda. Ele é um comércio, não vende imagem, não divulga nada. Ele não é nada daquilo que se coloca na Internet. Ele é uma compra de corridas", concluiu.

Ainda de acordo com o representante dos taxistas, embora as reivindicações tenham sido ouvidas e atendidas em reunião ontem à noite, o ato foi mantido, uma vez que já estava marcado e devido à proporção que tomou. Além das autoridades citadas, os deputados Dionísio Lins (PP) e Jorge Felipe Neto (PSD) também participam da manifestação.

Grupo critica atual forma de fiscalização do serviço de táxis na cidade do RioFábio Gonçalves / Agência ODIA

Em reunião com o prefeito Eduardo Paes na última quarta-feira, já havia sido confirmada a participação de dois representantes do governo municipal (Pedro Paulo, secretário executivo de Coordenação de Governo, e Rafael Picciani, secretário de Transportes) no ato.

Secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório também compareceu ao ato e conversou com taxistas. "O transporte de passageiros só pode funcionar se for licenciado, que é o que manda a lei. Caso contrário, existem duas alternativas. Ou se muda a lei, ou se faz cumprir a lei. E o estado estará atuando para que a lei seja cumprida, apoiando as prefeituras", afirmou. 

Segundo ele, desde que o Detro intensificou as fiscalizações aos táxis piratas, 34 carros já apreendidos. "Ontem apreendemos quatro carros Uber no Santos Dumont", contou. Para o secretário, a "manifestação é o primeiro passo". "Primeiro vamos ouvir. Os taxistas têm direitos adquiridos que não podem ser rasgados", acrescentou.

Enquanto o secretário falava, um grupo de taxistas gritou: "Fora TV Globo, Fora TV Globo". Duas equipes de reportagem da emissora (duas repórteres e dois cinegrafistas) foram cercados por taxistas e precisaram sair do local escoltados por policiais militares.

Ato pacífico

Policiais militares do Batalhão de Choque, do 2º BPM (Botafogo) e agentes da Guarda Municipal e da CET-Rio estão acompanhando o ato que acontece de forma pacífica. Muitos taxistas vestem camisas brancas com os seguintes dizeres: "Taxistas unidos contra a pirataria". Outros escreveram a seguinte frase nos para-brisas dos carros: "Sou legal, pago meus impostos".

Polícia Militar acompanhou ato que reuniu taxistas do Rio%2C do interior e de outros estadosFabio Gonçalves / Agência O Dia

O presidente do Conselho Regional dos Taxistas do Estado do Rio, Marcos Bezerra, disse que o objetivo do ato é a união dos profissionais. "A nossa expectativa é de certa de 3 a 5 mil taxistas participando do ato. Nossos principais objetivos é o combate a pirataria e a defesa da profissão dos taxistas do Rio e restabelecer a união da categoria", diz.

Concorrência desleal

Há dois anos na praça, o taxista auxiliar do Rio, André do Nascimento, de 27 anos, disse sentir no bolso o prejuízo no último ano com a concorrência do aplicativo Uber no Rio. Ele disse que com a atuação dos motorista não autorizados principalmente em eventos tem dificultando o pagamento da diária de R$ 160.

"Eles atuam principalmente à noite e de madrugada, no fim de festas e eventos. Estou sentindo no bolso, principalmente às sextas-feiras e sábados. Em um evento na Gávea chegaram a colocar uma tenda da Uber na entrada da festa para pegar passageiros", disse André, pai de um filho, relembrando o protesto que os colegas fizeram na madrugada do dia 27 de junho, contra a atuação dos motoristas cadastrados no aplicativo, no Clube Germânico, no Alto Gávea..

Na ocasião, nove motoristas da Uber foram encaminhados à 15ª DP (Gávea) denunciados por estar transportando passageiros do evento de foram ilegal. O caso foi registrado como caso atípico. a polícia considerou que eles não estavam exercendo atividade irregular de transporte pago de passageiros. Todos foram liberados.

Protesto é contra táxi pirata e o aplicativo Uber Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Entre os taxistas de outros estados que vieram apoiar o ato no rio de Janeiro, destaca-se um grupo de curitibanos. Embora na capital paranaense não haja o serviço do Uber, lá os taxistas já estão mobilizados contra o serviço.

"Viemos oito taxistas de Curitiba em dois táxis para apoiar o ato no Rio de Janeiro. Chegamos às 8h da manhã. Há quatro meses, fizemos manifestação desse mesmo porte em nossa cidade contra a pirataria, mesmo não tendo Uber lá. Estamos lutando para evitar que ele entre em nossa cidade. Não vamos permitir que isso aconteça", disse Nilson Silva 47 anos. Taxista há 29 anos, ele afirmou que essa "manifestação é muito importante". "Só assim vamos conseguir alcançar nosso objetivo", concluiu. Segundo ele, a capital do Paraná possuí cerca de 3002 táxis, sendo que 810 são piratas.

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Trânsito interditado

Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, devido à interdição da pista sentido Centro do Aterro do Flamengo, o tráfego de veículos é desviado pela Praia do Flamengo e Avenida Beira Mar. Os motoristas que seguem da Zona Sul para o Centro do Rio podem optar pela Avenida Senador Vergueiro, pelo Túnel Rebouças ou pela Rua Pinheiro Machado e Túnel Santa Bárbara.

Balanço do trânsito divulgado pelo órgão às 8h30 mostrava que, em função dos bloqueios, o trânsito estava impactado em algumas vias. A Avenida Atlântica tinha retenção na pista junto à orla. A opção era seguir pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Motoristas ficaram engarrafados na Avenida Francisco Bicalho, sentido Cidade Nova, e na Avenida Presidente Vargas, sentido Candelária. A opção foi seguir pela Via Binário.

O que é o Uber?

O Uber é uma empresa americana, que, através de aplicativo homônimo, oferece serviço parecido ao de um táxi em centenas de cidades brasileiras e em dezenas de países. Os taxistas alegam que qualquer um pode ser motorista da Uber, sem se preocupar em legalizar o veículo para fins de transporte de passageiros. A presença dos aplicativos tem preocupado sindicatos e empresas do setor em todo o país.

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